CINEMA BRASILEIRO COM A AGÊNCIA BRAZUCAH

Brazucah, agência especializada na promoção de filmes nacionais, fez o que parecia impossível: ajudou a criar campeões de bilheteria 100% brasileiros, como Meu Nome Não É Johnny

 

 

Por Eduardo Torelli

Fotos João Lisboa

 

 

Qualquer pessoa do ramo sabe: trabalhar com cinema no Brasil é uma “guerra”. E as condições de enfrentamento com o “inimigo” são cruéis: como chamar a atenção do público para um produto nacional diante de “facções” imbatíveis como o Marketing milionário e as inserções publicitárias caríssimas, que garantem a visibilidade dos filmes norte-americanos por aqui? Sem contar a supremacia dessas produções nas salas de exibição – elas estão disponíveis em um infindável número de cópias.

 

A “ação de campo” é sua especialidade, a Brazucah já chegou a fechar parceria com a Zazen Produções para promover Garapa, documentário de José Padilha (Tropa de Elite), no circuito universitário. E se o velho preconceito quanto ao cinema tupiniquim começa a cair por terra – hoje, os jovens respondem com muito mais entusiasmo à produção local –, não há dúvida de que esta vitória se deve, também, à Brazucah. Seus profissionais fazem o proverbial “trabalho de formiguinhas” para aproximar nossos filmes de seu público em potencial.

 

A fim de entender melhor as estratégias da empresa para vencer essa luta, conversamos com Cynthia Alario e Camila Nunes, fundadoras e diretoras executivas da Brazucah. Nesse bate-papo, elas lembram algumas ações empreendidas para garantir o êxito de filmes como Meu Nome Não é Johnny (nossa maior bilheteria em 2008) e O Cheiro do Ralo (que obteve o reconhecimento do público e da crítica).

 

QUANDO E COMO SURGIU A BRAZUCAH? A PARTIR DE UM INTERESSE ESPECÍFICO DE VOCÊS EM CINEMA? OU PARA SANAR OS PROBLEMAS DE DIVULGAÇÃO DOS FILMES NACIONAIS?

 

CYNTHIA ALARIO: a Brazucah, desde o início, encarou o desafio de sanar alguns problemas encontrados pelo cinema brasileiro em sua distribuição. Se algum dia atingirmos um patamar de popularização que torne dispensável nosso trabalho, nos adaptaremos para sanar outras carências do setor. Antes de fundarmos a Brazucah, eu e Camila trabalhamos juntas em outros projetos culturais e de distribuição. Mas apenas em 2002, com o lançamento de Janela da Alma, de João Jardim, a agência oficialmente se estabeleceu. Aquele trabalho nos mostrou uma lacuna em nosso cinema: a falta de ações especializadas para a divulgação, principalmente, nas universidades, já que a produção local requeria “cuidados especiais” no que se referia à publicidade, para concorrer com o Marketing norte-americano.

 

OBVIAMENTE, APÓS VÁRIOS CASES, OS PRODUTORES, CINEASTAS E DISTRIBUIDORES JÁ SE CONVENCERAM DA VALIDADE DO TRABALHO DE VOCÊS. MAS, INICIALMENTE, FOI DIFÍCIL CONVENCER ESSAS PESSOAS A USAREM NOVAS ESTRATÉGIAS PARA DIVULGAR OS FILMES?

 

CAMILA NUNES: nunca foi difícil. Eles já sabiam – e sabem – a importância que uma campanha direcionada pode ter para um filme, principalmente, os pequenos. As pesquisas apontam o jovem como um grande consumidor de filmes brasileiros: e onde ele está? Nas universidades. Depois de oito anos no mercado, muitas produtoras e distribuidoras já contam com as ações da Brazucah ao estruturarem seus mixes de lançamento. E nos chamam para o desenvolvimento de estratégias que atinjam esse jovem. Grandes filmes, assim como as majors, também nos procuram. Por exemplo: desenvolvemos um trabalho para A Mulher Invisível, de Claudio Torres, distribuído pela Warner.

 

CADA CAMPANHA DESENVOLVIDA PELA BRAZUCAH TEM UM TOM “PERSONALIZADO”: OS SLOGANS CRIADOS E AÇÕES DESENVOLVIDAS TÊM A VER COM AS TEMÁTICAS DOS FILMES DIVULGADOS. PASSO A PASSO, COMO SE DÁ ESSE PROCESSO?

 

C.A.: os distribuidores ou produtores nos procuram, conversamos sobre o filme e apuramos qual é o direcionamento da campanha de lançamento (público-alvo, quantidade de cópias, praças de exibição, estratégias gerais etc.). Na sequência, nossa equipe assiste ao filme. Depois passamos por uma sessão de brainstorm e elaboramos uma proposta específica, pensando em nossas ferramentas convencionais, tais como a “Rede Brazucah”, ações na Internet e ações diferenciadas e criativas que dialoguem com quem almejamos conversar. Aprovada a proposta, convocamos os agentes da Rede Brazucah para uma segunda sessão de brainstorm, na qual eles assistem ao filme e pensam em ações que possam ser feitas em cada faculdade – tendo, em vista, a realidade e as atividades que ocorrerão no período de lançamento do filme.  A partir daí, executamos a proposta.

 

 

MEU NOME NÃO É JOHNNY FOI UM GRANDE SUCESSO. QUAIS FORAM AS AÇÕES EMPREENDIDAS PARA DIVULGAR O LONGA?

 

C.N.: a Brazucah começou seu trabalho nesse filme três meses antes do lançamento. O objetivo era gerar o “boca a boca” e preparar o terreno para sua estreia. Foram realizadas pré-estreias em universidades, com debates com João Guilherme Estrella, o diretor Mauro Lima e o ator Selton Mello. Estas sessões foram monitoradas com pesquisas de opinião que mostraram a aceitação do filme e o potencial de multiplicação do público. Com isso, antes da estreia, o filme já tinha um exército de gente que o vira em primeira mão e que estava disposta a indicá-lo a amigos, familiares etc. Outra ação teve suporte on-line e provocou grande movimentação no site do filme: tratava-se da promoção “Sessão Para Você”, cujo mote era: “Como Você Seria Fotografado se Fosse Fichado?”. As pessoas postavam suas fotos no site e estas eram submetidas à votação popular (gerando a multiplicação da informação, pois os inscritos mobilizavam suas próprias redes de relacionamento para divulgar a foto). O vencedor ganhou uma sessão exclusiva do filme para 300 amigos. Além disso, colocamos promotores nos points mais frequentados de São Paulo e do Rio, “armados” com um arsenal de adereços curiosos (chapéus, fantasias etc.) e estimulando as pessoas a tirarem suas fotos in loco para a promoção. Sem contar as ações promocionais em universidades, como sorteios de ingressos, divulgação junto aos centros acadêmicos etc.

 

QUAL FOI O FILME MAIS DIFÍCIL DE DIVULGAR EM TERMOS DE CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS E AÇÕES PROMOCIONAIS?

 

C.A.: não sabemos dizer qual foi o filme mais difícil de divulgar, pois todos têm suas facilidades e dificuldades. Mas, de maneira geral, um filme menos conhecido sempre é mais difícil – mas estamos aí para isso! Outro fator que dificulta o desenvolvimento de ações é o pouco recurso financeiro. Somos criativos, mas ainda não fazemos mágica! Também é difícil trabalhar quando somos chamados muito em cima da hora.

 

VOCÊS FOCAM O PÚBLICO UNIVERSITÁRIO, O QUE FAZ SENTIDO – OS JOVENS SÃO EXCELENTES “CONDUTORES” DE IDEIAS. MAS EM UM PAÍS COMO O BRASIL, ONDE MUITOS SEQUER CONCLUÍRAM O ENSINO BÁSICO, ISTO É O BASTANTE PARA GARANTIR UM ÊXITO DE BILHETERIA?

 

C.A.: as ações da Brazucah fazem parte de um mix de comunicação de lançamento. Um sucesso de bilheteria se faz por uma somatória de variáveis e uma delas é um diálogo certeiro com seu público-alvo. É isso o que buscamos em nossas propostas. Nossa especialidade é o público jovem, que tem se mostrado muito eficiente na multiplicação de ideias, inclusive, para outras faixas etárias. Uma campanha de lançamento deve incluir, também, outras ações que dialoguem com outras faixas de público. No entanto, há uma grande parcela da população que não tem acesso ao cinema brasileiro por questões econômicas. Esta é uma questão estrutural, que não pode ser tratada na esfera do Marketing. O cinema é um programa caro e, em geral, essa parcela da população não frequenta as salas comerciais. Para esse público, trabalhamos com o circuito alternativo, no intuito de democratizar o acesso à produção brasileira.

 

 

Conheça mais da agência em

www.brazucah.com.br