EDIÇÃO 122

Sempre “antenada” com o mundo da videoprodução, Zoom Magazine traz seções que versam sobre vários temas deste segmento. Um exemplo é Panorâmica, que explica a famosa “escala de planos”, que procura instituir uma linguagem coesa para os profissionais da área. Lançar mão desse procedimento pode fazer toda diferença no resultado final do produto. Por Trás da Cena revela os bastidores do primeiro longa-metragem do roteirista Paulo Halm, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos.

 
 
DESTAQUE - 1
 
     
 

CAMPO DE BATALHA

 
     
 
Forte indicativo das tendências de mercado. CES mostrou que os grandes fabricantes já escolheram suas armas na disputa pela liderança tecnológica em 2010
 
     

 

A primeira batalha do ano entre os fabricantes de equipamentos eletrônicos aconteceu já nos primeiros dias de janeiro. Zoom Magazine foi à CES 2010 conferir as últimas tendências de mercado (tive oportunidade de participar de vários eventos pre-show, reservados a convidados especiais). Realizada em Las Vegas (EUA), a CES começou no dia 07, estendendo-se até 10 de janeiro. Mas a batalha de bastidores começou antes e continuou muito além de seu encerramento. A seguir, confira a primeira parte de um abrangente artigo sobre o maior evento do setor.

LAS VEGAS
Passava da meia-noite de 03 de janeiro quando o Boeing 767-300 da Delta Airlines começou sua lenta ascensão aos céus nublados de São Paulo, rumo a Los Angeles (EUA). Este voo, recém-inaugurado, é um dos dois diretos que saem de São Paulo para a costa oeste dos EUA (o outro é da Korean Air). Mesmo tratando-se de um equipamento menor, o 767 me conduziu com tranquilidade a Los Angeles (EUA). Tive sorte e passei menos de 15 minutos na imigração americana, logo pegando um vôo da Southwest Airlines com destino a Las Vegas. Poucas horas depois, chegava ao meu destino.
O local do evento é o LVCC – Las Vegas Convention Center. Mas, devido ao grande número de visitantes, muitas marcas alugam hotéis inteiros, como o Hilton, para hospedar seus showrooms.

NOVIDADES
O Google Phone, também conhecido como Nexeus One, apresenta um design muito semelhante aos Smart Phones convencionais. O novo sistema operacional (Android, da Google) foi atualizado e oferece elementos 3D para uma variedade de aplicativos, bem como diversos homescreens – e parece que a tela proteção (screensaver) é parte integrante dos menus interativos do sistema operacional Android 2.0.1. O destaque do equipamento está na parte inferior da tela principal: quando esta é pressionada, exibe um cartão webOS, o que oferece algumas possibilidades interessantes.
Nos EUA este dispositivo funciona, inicialmente, em rede da T-Mobile; e também usa WI-FI. O telefone vem carregado com navegador Google e localizador Google Goggles. Com hardware sóbrio e sólido, o Nexus não parece se propor a ser “fino e elegante”, mesmo que não tenha uma enorme quantidade de botões (os quatro na frente são claramente sensíveis ao toque). A operacionalidade está diretamente ligada ao e-mail do proprietário, no qual todos os dados de telefone, endereço etc. são guardados. Assim como aplicativos, arquivos de imagens são conectados via Google...

 
     
 
 
     
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PROBLEMAS MODERNOS

 
     
  Por Eduardo Torelli
Fotos Divulgação
 
     
  Filme de estreia do roteirista Paulo Halm expõe o dilema de muitos jovens da atualidade: a dificuldade em amadurecer e encontrar um lugar no mundo  
     
 

Ao longo das últimas décadas, o roteirista Paulo Halm construiu uma reputação de bons serviços prestados ao cinema. Ele trabalhou com realizadores do porte de Sandra Werneck, José Joffily e Ruy Guerra e tem, no currículo, títulos como Guerra de Canudos, Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis e Dois Perdidos Numa Noite Suja. Para coroar essa trajetória de sucesso, só faltava dirigir um longa-metragem – porque tarimba na realização de curtas ele já tinha de sobra (são de sua autoria os filmes Bela e Galhofeira, Biu, A Vida Real Não Tem Retake e Maria Anamaria Mariana). Pois a meta acaba de ser cumprida em grande estilo: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos é seu début no formato e passou com pompa e circunstância pelo Festival do Rio 2009, bem como pelo 5º FestCine Goiânia e pelo 13º Festival de Cinema de Santa Maria da Feira,
em Portugal.
A produção estreia oficialmente em 26 de fevereiro e é estrelada por Caio Blat e Maria Ribeiro. O protagonista é Zeca, jovem escritor às voltas com a “Crise dos 30 Anos” que representa muito bem a “geração canguru” – aquela com dificuldades para lidar com o amadurecimento e que se refugia em uma eterna adolescência. O inferno existencial do personagem acentua-se quando sua relação com Maria, mulher independente e segura, é balançada com o surgimento de Carol (interpretada pela atriz argentina Luz Cipriota). Complementam o elenco os veteranos Daniel Dantas e Hugo Carvana (este, fazendo uma participação especial).

PROJETO PESSOAL
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos foi um dos três argumentos que Paulo Halm escreveu em 2002, em meio a uma “seca” de trabalhos como roteirista contratado. Halm destaca que, embora sempre tenha sonhado realizar um longa, a rotina ininterrupta de escrever histórias para os outros inviabilizava um projeto próprio. A fase de “calmaria”, portanto, foi a deixa para realizar esta ambição pessoal.
As diárias de captação compreenderam quatro semanas e dois dias. Halm lembra, bem-humorado, que as filmagens se encerraram dramaticamente, sob uma tempestade torrencial no Rio de Janeiro. “Equipe e elenco ficaram ilhadas em um bar da Lapa durante quase cinco horas, com água pelas canelas”, recorda o realizador. “Recordo-me bem, porque foi no dia em que filmamos a cena do bar do samba. Não tínhamos como fazer nada, pois estávamos sem luz e impossibilitados de nos deslocar. Então, ficamos ali, cantando sambas e marchinhas de Carnaval...

 
     
 
 
     
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SONY HVR Z5: ESTUDO E PRÁTICA

 
     
 
Por Ricardo Bruini
 
     
 
Em destaque, as credenciais de uma camcorder de desempenho superior
 
     
 

Continuamos, nesta edição, nossa análise sobre a camcorder de alta definição HVR Z5. Vimos, em edições anteriores, os comandos da objetiva, assim como os principais chaveamentos e as semelhanças e diferenças entre este modelo e a HVR Z7, também da Sony.
Nesta edição, abordaremos o processamento eletrônico do sinal de vídeo.

SENSORES CMOS CLEAR VID DE 1/3 DE POLEGADA
A camcorder HVR Z5 conta com três sensores do tipo CMOS (Complementary Metal Oxide Semiconductor) de 1/3 de polegada, cada, que utilizam a tecnologia Clear Vid.
Cada sensor conta com 1.120.000 pixels totais para formação das imagens. Estes são dispostos em ângulo de 45 graus, garantindo maior cobertura dos pixels em uma mesma área (se comparados aos sensores dispostos convencionalmente, a 90 graus). Associados ao processamento de sinal eletrônico Enhanced Imaging (EIP), os três sensores garantem maior resolução e latitude de exposição, bem como alta sensibilidade e fidelidade de cores. A sofisticada tecnologia de interpolação de pixels utilizada pelos circuitos da HVR Z5 garante que os sinais RGB provenientes dos pixels produzam menor degradação e “borrões” nas cores.

PROCESSAMENTO ELETRÔNICO PARALELO
Graças ao processamento paralelo de sinal e à dupla “coluna” de redução de ruídos, a HVR Z5 gera imagens com baixíssimo nível de ruído.
Tradicionalmente, em outras camcorders, a conversão do sinal analógico para digital é efetuada na saída do sensor (processamento comum em sensores CCD), o que acarreta um acúmulo de ruído. Nos sensores CMOS da HVR Z5, a conversão analógica/digital é efetuada logo após a saída de cada pixel, eliminando as interferências e ruídos oriundos do sensor e de outros dispositivos...

 
     
 
 
     
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SAINDO DO PAPEL

 
     
 
Por Tiaraju Aronovich
 
     
 
Elaborado o roteiro, é hora de começar a dar vida ao nosso projeto
 
     
 

Como transformar um roteiro em um filme “de fato”? Como vender uma história ou fazê-la chegar às mãos corretas? E ainda: como selecionar uma equipe e encarar a realização de um projeto próprio? Calma, há respostas para tudo... Precisamos percorrer várias etapas para assegurar a qualidade do projeto e inseri-lo no mercado. Vamos a elas?

PROTEJA SUA OBRA!
Antes de anunciar aos quatro ventos o quão genial é seu roteiro e sair distribuindo cópias para os amigos e conhecidos, proteja sua obra! Um bom roteiro é valioso e pode facilmente ser roubado ou plagiado, se não for protegido! Em pólos cinematográficos como Hollywood, plágio e roubo de ideias são verdadeiras paranoias para os escritores. E com razão! Onde há fumaça, há fogo – e muitas idéias foram roubadas ou plagiadas para, depois renderem fortunas aos usurpadores! Mesmo no Brasil, onde a indústria é radicalmente menor, é possível constatar tristes casos de plágio.
Recentemente, entrevistando um dramaturgo consagrado para um programa de TV – mantenho seu nome em sigilo para preservar sua privacidade – soube que uma de suas peças fora plagiada e transformada em telenovela, sem que o autor recebesse um tostão por isso!
Portanto, nunca é demais se prevenir. Nos EUA e na Europa não é raro um produtor ser obrigado a assinar um “termo de confidencialidade”, antes de ser autorizado a ler um roteiro! Mas, afinal, quais são as formas de “proteger” sua propriedade intelectual, ou melhor, registrar um roteiro? No Brasil, o registro de obras literárias (incluindo roteiros) é realizado junto à Biblioteca Nacional, com sede no Rio de Janeiro. Em São Paulo, há uma representação da Biblioteca Nacional na FUNARTE, na Alameda Nothmann (Barra Funda), onde os registros também podem ser efetuados pessoalmente. Autores de outros estados e cidades devem consultar o site da Biblioteca Nacional (www.bn.br) e localizar, na sessão “serviços a profissionais”, o “Escritório de Direitos Autorais”, responsável por este trâmite.
Feito isso, o autor preenche alguns formulários e documentos, paga uma taxa e pronto: recebe, a princípio, um protocolo – e posteriormente uma inscrição oficial garantindo seus direitos sobre a obra. Também é possível registrar o roteiro internacionalmente, através do Writers Guild of America...

 
     
 
 
     
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AS CORES EM CINEMA

 
     
 
Por Emerson Calvente
 
     
 
O uso consciente das cores na cinematografia pode garantir maior expressividade
e a “atmosfera” esperada
 
     
 

A cor pode ser considerada um elemento fílmico “não específico”, pois não pertence exclusivamente à arte cinematográfica, sendo utilizada por outras artes, como o teatro ou a pintura. Porém, a utilização consciente e criativa dos recursos de manipulação das cores constitui um fator decisivo para a criação da expressividade da imagem e do universo fílmico.
Nesta edição de Luz & Ação, vamos analisar como as cores contribuem para criar a “atmosfera” em filmes e vídeos, ainda que o seu papel não seja sempre percebido pelo espectador comum e desavisado. Na primeira parte deste artigo, trataremos do surgimento da cor no cinema, de questões e problemas técnicos e de algumas implicações psicológicas.

O CINEMA “PRETO E BRANCO”
O cinema esteve praticamente reduzido ao “preto e branco” durante quarenta anos. No entanto, no início, realizadores como Méliès, Pathé e Gaumont, coloriam fotograma por fotograma à mão. Esse trabalho era realizado por operários que se revezavam em turnos. Evidentemente, essa técnica não sobreviveu ao desenvolvimento do cinema. À medida que a duração dos filmes e o número de cópias aumentavam, o processo tornou-se impraticável.
O que resistiu, mais ou menos até o final do cinema mudo, foram os “banhos”, que consistiam em tingir a película em cores uniformes: azul para a noite, amarelo para os interiores à noite, verde para as paisagens, vermelho para os incêndios e as revoluções. Os processos bicrômicos (e depois tricrômicos) surgiram em meados dos anos 30. Em 1935, nos Estados Unidos, com Vaidade e Beleza, de Mamoulian. Em 1936, na Rússia, com Rouxinol, Pequeno Rouxinol, de Ekk e em 1942, na Alemanha, com Praga, a Cidade da Ilusão, de Veit Harlan. Porém, a generalização do uso das cores ocorreu somente a partir da metade dos anos 50.
Inicialmente, os produtores consideravam a utilização da cor apenas um elemento capaz de aumentar o realismo da imagem. O slogan difundido por eles era “cores cem por cento naturais”.

 
     
 
 
     
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PLANOS DE AÇÃO

 
     
 
Por Ricardo Bruini
 
     
 
A escala de planos estabelece uma linguagem coerente entre os profissionais de vídeo. E faz uma diferença e tanto, seja em uma reportagem ou no set de filmagem
 
     
 

Estabelecer uma linguagem que todos os profissionais (ou, ao menos, os da própria equipe) possam compreender facilmente, de modo a executarem a tarefa correta quando determinada informação lhes for passada, é um procedimento que evita muitas dores de cabeça, seja dentro de um estúdio de vídeo ou no curso de uma reportagem de rua.
A escala de planos é um conjunto de enquadramentos pré-definidos que procura estabelecer uma linguagem coerente entre os profissionais da área de vídeo. Tem, como referência, as proporções do corpo humano – e suas denominações podem variar consideravelmente.
Uma pequena reunião antes de uma transmissão para estabelecer esta linguagem padrão faz a diferença em um set de gravação. Infelizmente, nem sempre tal recomendação é seguida, o que acarreta em muitos mal-entendidos no meio audiovisual, principalmente em transmissões ao vivo de TV.

PLANO GERAL (PG)
Este plano engloba todo o corpo humano, além de uma área considerável acima da cabeça (chamada de “teto”) e outra, um pouco menor, logo abaixo dos pés (chamada de “chão”).
Neste enquadramento, o ambiente tem tanto (ou mais) valor dramático que o objeto principal (no caso, uma pessoa), o que credencia o plano geral para imagens mais descritivas e com clara função de localizar onde ocorre (ou ocorrerá) a ação.
Em um Plano Geral harmônico, deve-se evitar “apoiar” os pés da pessoa na borda inferior do quadro. Este equívoco provoca a nítida sensação, no espectador, de que a pessoa está “andando” na beirada do monitor. Da mesma forma, deixar a borda superior tocar a cabeça do personagem enquadrado causa uma sensação de claustrofobia; é como se a pessoa fosse sufocada (ou esmagada) pela tela.
Também são comuns planos bem mais abertos. No “Grande Plano Geral”, a pessoa tem pouquíssima importância em relação ao ambiente que a circunda.

 
     
 
 
     
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