Ao longo das últimas décadas, o roteirista Paulo Halm construiu uma reputação de bons serviços prestados ao cinema. Ele trabalhou com realizadores do porte de Sandra Werneck, José Joffily e Ruy Guerra e tem, no currículo, títulos como Guerra de Canudos, Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis e Dois Perdidos Numa Noite Suja. Para coroar essa trajetória de sucesso, só faltava dirigir um longa-metragem – porque tarimba na realização de curtas ele já tinha de sobra (são de sua autoria os filmes Bela e Galhofeira, Biu, A Vida Real Não Tem Retake e Maria Anamaria Mariana). Pois a meta acaba de ser cumprida em grande estilo: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos é seu début no formato e passou com pompa e circunstância pelo Festival do Rio 2009, bem como pelo 5º FestCine Goiânia e pelo 13º Festival de Cinema de Santa Maria da Feira,
em Portugal.
A produção estreia oficialmente em 26 de fevereiro e é estrelada por Caio Blat e Maria Ribeiro. O protagonista é Zeca, jovem escritor às voltas com a “Crise dos 30 Anos” que representa muito bem a “geração canguru” – aquela com dificuldades para lidar com o amadurecimento e que se refugia em uma eterna adolescência. O inferno existencial do personagem acentua-se quando sua relação com Maria, mulher independente e segura, é balançada com o surgimento de Carol (interpretada pela atriz argentina Luz Cipriota). Complementam o elenco os veteranos Daniel Dantas e Hugo Carvana (este, fazendo uma participação especial).
PROJETO PESSOAL
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos foi um dos três argumentos que Paulo Halm escreveu em 2002, em meio a uma “seca” de trabalhos como roteirista contratado. Halm destaca que, embora sempre tenha sonhado realizar um longa, a rotina ininterrupta de escrever histórias para os outros inviabilizava um projeto próprio. A fase de “calmaria”, portanto, foi a deixa para realizar esta ambição pessoal.
As diárias de captação compreenderam quatro semanas e dois dias. Halm lembra, bem-humorado, que as filmagens se encerraram dramaticamente, sob uma tempestade torrencial no Rio de Janeiro. “Equipe e elenco ficaram ilhadas em um bar da Lapa durante quase cinco horas, com água pelas canelas”, recorda o realizador. “Recordo-me bem, porque foi no dia em que filmamos a cena do bar do samba. Não tínhamos como fazer nada, pois estávamos sem luz e impossibilitados de nos deslocar. Então, ficamos ali, cantando sambas e marchinhas de Carnaval...
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