A cor pode ser considerada um elemento fílmico “não específico”, pois não pertence exclusivamente à arte cinematográfica, sendo utilizada por outras artes, como o teatro ou a pintura. Porém, a utilização consciente e criativa dos recursos de manipulação das cores constitui um fator decisivo para a criação da expressividade da imagem e do universo fílmico.
Nesta edição de Luz & Ação, vamos analisar como as cores contribuem para criar a “atmosfera” em filmes e vídeos, ainda que o seu papel não seja sempre percebido pelo espectador comum e desavisado. Na primeira parte deste artigo, trataremos do surgimento da cor no cinema, de questões e problemas técnicos e de algumas implicações psicológicas.
O CINEMA “PRETO E BRANCO”
O cinema esteve praticamente reduzido ao “preto e branco” durante quarenta anos. No entanto, no início, realizadores como Méliès, Pathé e Gaumont, coloriam fotograma por fotograma à mão. Esse trabalho era realizado por operários que se revezavam em turnos. Evidentemente, essa técnica não sobreviveu ao desenvolvimento do cinema. À medida que a duração dos filmes e o número de cópias aumentavam, o processo tornou-se impraticável.
O que resistiu, mais ou menos até o final do cinema mudo, foram os “banhos”, que consistiam em tingir a película em cores uniformes: azul para a noite, amarelo para os interiores à noite, verde para as paisagens, vermelho para os incêndios e as revoluções. Os processos bicrômicos (e depois tricrômicos) surgiram em meados dos anos 30. Em 1935, nos Estados Unidos, com Vaidade e Beleza, de Mamoulian. Em 1936, na Rússia, com Rouxinol, Pequeno Rouxinol, de Ekk e em 1942, na Alemanha, com Praga, a Cidade da Ilusão, de Veit Harlan. Porém, a generalização do uso das cores ocorreu somente a partir da metade dos anos 50.
Inicialmente, os produtores consideravam a utilização da cor apenas um elemento capaz de aumentar o realismo da imagem. O slogan difundido por eles era “cores cem por cento naturais”.
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