EDIÇÃO 122

Sempre “antenada” com o mundo da videoprodução, Zoom Magazine traz seções que versam sobre vários temas deste segmento. Um exemplo é Panorâmica, que explica a famosa “escala de planos”, que procura instituir uma linguagem coesa para os profissionais da área. Lançar mão desse procedimento pode fazer toda diferença no resultado final do produto. Por Trás da Cena revela os bastidores do primeiro longa-metragem do roteirista Paulo Halm, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos.

 
 
DESTAQUE - 5
 
     
 

AS CORES EM CINEMA

 
     
 
Por Emerson Calvente
 
     
 
O uso consciente das cores na cinematografia pode garantir maior expressividade
e a “atmosfera” esperada
 
     

 

A cor pode ser considerada um elemento fílmico “não específico”, pois não pertence exclusivamente à arte cinematográfica, sendo utilizada por outras artes, como o teatro ou a pintura. Porém, a utilização consciente e criativa dos recursos de manipulação das cores constitui um fator decisivo para a criação da expressividade da imagem e do universo fílmico.
Nesta edição de Luz & Ação, vamos analisar como as cores contribuem para criar a “atmosfera” em filmes e vídeos, ainda que o seu papel não seja sempre percebido pelo espectador comum e desavisado. Na primeira parte deste artigo, trataremos do surgimento da cor no cinema, de questões e problemas técnicos e de algumas implicações psicológicas.

O CINEMA “PRETO E BRANCO”
O cinema esteve praticamente reduzido ao “preto e branco” durante quarenta anos. No entanto, no início, realizadores como Méliès, Pathé e Gaumont, coloriam fotograma por fotograma à mão. Esse trabalho era realizado por operários que se revezavam em turnos. Evidentemente, essa técnica não sobreviveu ao desenvolvimento do cinema. À medida que a duração dos filmes e o número de cópias aumentavam, o processo tornou-se impraticável.
O que resistiu, mais ou menos até o final do cinema mudo, foram os “banhos”, que consistiam em tingir a película em cores uniformes: azul para a noite, amarelo para os interiores à noite, verde para as paisagens, vermelho para os incêndios e as revoluções. Os processos bicrômicos (e depois tricrômicos) surgiram em meados dos anos 30. Em 1935, nos Estados Unidos, com Vaidade e Beleza, de Mamoulian. Em 1936, na Rússia, com Rouxinol, Pequeno Rouxinol, de Ekk e em 1942, na Alemanha, com Praga, a Cidade da Ilusão, de Veit Harlan. Porém, a generalização do uso das cores ocorreu somente a partir da metade dos anos 50.
Inicialmente, os produtores consideravam a utilização da cor apenas um elemento capaz de aumentar o realismo da imagem. O slogan difundido por eles era “cores cem por cento naturais”.

 
     
 
 
     
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