EDIÇÃO 126

Houve época em que cursar cinema no Brasil era “coisa de louco”. Pode parecer ficção para quem é mais novo – mas as condições do segmento eram precárias há alguns anos (assim como os canais de distribuição). Felizmente, o “enquadramento” se abriu: é verdade que nem tudo é perfeito, mas – nesses tempos de retomada e supercâmeras fáceis de operar – ninguém mais questiona que a carreira de realizador se tornou possível por aqui. Seja exibindo um longa em grande circuito, seja mostrando seus curtas em festivais ou em blogs descolados que se tornam “vitrines” para o seu talento.

 
 
DESTAQUE - 1
 
     
 

NA TERRA E NO AR

 
     
 
Por Eduardo Torelli
Fotos Produção do Filme Segurança Nacional
 
 
Os bastidores do filme Segurança Nacional foram tão movimentados quanto o filme em si e incluíram cenas rodadas na Amazônia e até no avião presidencial
 
     

 

Hollywood é a prova de que a pluralidade é benéfica ao cinema, por dar um ritmo industrial a uma arte que, além de ser um campo vastíssimo para o experimentalismo, também emprega muita gente, gera grandes receitas e entretém milhões. Apenas de uns anos para cá nossos realizadores começaram a buscar abertamente o lado mais comercial da Sétima Arte (sem esquecer, claro, o exemplo de precursores importantes, como os Trapalhões, cujas aventuras sempre atraíram público). É natural, assim, que parte da crítica local “torça o nariz” para obras audiovisuais que se assumam “produtos” desde a primeira cena e que (Heresia! Heresia!) ousem sonhar com a existência de um supercombatente do crime com sotaque carioca, paulista ou mineiro.
A verdade é que, em tese, nada impede que um personagem assim exista no telão. Agentes secretos indestrutíveis, daqueles que fazem misérias na terra e no ar, tampouco constam nas folhas de serviço do MI6 e da C.I.A. – e isto não impediu que produtores com agudo senso comercial emplacassem cases midiáticos com as rocambolescas peripécias de James Bond, Jack Bauer e Jason Bourne. Em última instância, o êxito desse tipo de filme (partindo da premissa de que sejam bem-feitos) só depende da capacidade do espectador (e da crítica) em entrar no espírito proposto pela produção.
E o “espírito” de Segurança Nacional, longa realizado por Roberto Carminati e estrelado por Thiago Lacerda, Milton Gonçalves, Ângela Vieira e Gracindo Jr., é – simples assim – o de uma aventura destinada a ser consumida por espectadores de todas as idades. O mocinho é o agente Marcos Rocha (Lacerda), a serviço da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Os vilões são narcotraficantes que planejam um ataque mirabolante ao país (quando a “Lei do Abate”, que entrou em vigor em 2004, endurece o combate ao tráfico de drogas) – o que inclui até a detonação de artefatos nucleares. E, como nos melhores exemplares desse gênero, há dúzias de cenas de lutas, perseguições aéreas e demais pirotecnias para encher os olhos do espectador.

É um filme absurdo? Talvez. Mas não foi pelo “excesso de sobriedade” que o cinema norte-americano se tornou o mais poderoso e lucrativo do mundo. Vide os casos recentes de Avatar, Homem de Ferro e O Cavaleiro das Trevas – este último protagonizado por um homem vestido de morcego...
 
     
 
 
     
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SONY HXR-NX5N: PRIMEIRAS IMPRESSÕES – PARTE 2

 
     
 
Por Ednei Sulzbach
 
 
Mais dicas sobre uma câmera que atende muito bem às demandas do segmento semiprofissional
 
     
 

Dando continuidade ao artigo da edição anterior, aprofundaremos nossos conhecimentos sobre o novo modelo de câmera do segmento semiprofissional da Sony, a HXR-NX5N.

AJUSTES DE MENU
No menu de "Picture Profile", ou simplesmente PP, estão todas as possibilidades de alteração da imagem, como áreas pretas, gamma e detalhe. Estes são os ajustes aos quais já temos acesso há algum tempo em modelos superiores da Sony, como a série EX (EX1, EX3 e EX1R), ou outros modelos, como a HVR-Z1 e as mais recentes HVR-Z5 e HVR-Z7. É possível armazenar seis perfis diferentes de imagem, que podem ser previamente alterados, ou utilizar as configurações da própria Sony. Cada um destes perfis é indicado para uma situação diferente de iluminação. Um recurso interessante, também presente neste modelo, mas pouco utilizado, é a possibilidade de se armazenar estas alterações feitas no menu de "Picture Profile" em um cartão e transferi-las para outras câmeras HXR-NX5N. Em trabalhos com multicâmeras (por exemplo, a gravação de um show), isto garante maior facilidade e agilidade na setagem das câmeras.
O menu de câmera pode ser operado pelos botões na lateral ou pelas setas de navegação na parte superior, ao lado do monitor de LCD. Este menu é extenso, mas muito semelhante a outros modelos de câmera da Sony. As principais novidades são a possibilidade de se escolher o formato de gravação do som, que pode ser Dolby Digital Stereo ou Linear PCM Stereo, e as várias possibilidades de gravação de vídeo, que podem variar entre formatos entrelaçados ou progressivos, alterar a resolução da imagem, a velocidade de gravação e a compressão do arquivo gravado.

NOVO MENU
Na HXR-NX5N, a novidade fica por conta do "Mode Menu", que pode ser operado pelo painel de LCD sensível ao toque. Este menu permite facilidades como: proteger imagens gravadas para que não sejam apagadas acidentalmente, criar e assistir a uma lista de imagens selecionadas entre o material gravado, gerar uma imagem (frame) a partir de um vídeo captado, selecionar apenas um trecho de uma cena gravada e descartar o restante ou formatar os cartões Memory Stick PRO Duo...

 
     
 
 
     
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“SÃOPAULANDO”

 
     
 
Por Eduardo Torelli
Fotos Karla Cozzer e Bianca Ballarin (Divulgação)
 
 
Com uma câmera na mão e um olhar atento para a cidade, cinco amigos descobriram o lado lírico da maior metrópole da América Latina
 
     
 

São Paulo é uma cidade com muitas faces. Dependendo de como você a enxerga, pode ser moderna ou retrô, lúdica ou cruel, ensolarada ou tristonha... Pode até ser todas essas coisas em um mesmo dia, desde que você tenha tempo para contemplá-la em seus diferentes momentos...
         Graças à Internet e à iniciativa de cinco amigos que trabalham com videoprodução – o diretor e produtor Kico Santos, o diretor de arte Fabio Nikolaus, o cinegrafista Jones Gama e os editores de imagens Sillas Gama e Ricardo Tadashi –, a temperamental metrópole foi “fatiada” em curtas-metragens que dão uma boa ideia de sua pluralidade. Os vídeos estão postados no blog “Cinema de Rua” (www.cinemaderua.wordpress.com) e têm um apelo irresistível – tanto pelas situações enfocadas como pela realização e finalização caprichadas.

Nas palavras de Kico Santos, nosso entrevistado nesta edição: “a aventura do Cinema de Rua nos fez observar a cidade de forma diferente. O que nos parecia óbvio já não é mais; o que parecia diariamente invisível, agora nos salta aos olhos. Cada beco que filmamos se transforma em algo memorável, viramos forasteiros em nosso próprio cotidiano. Esta é a verdadeira beleza, a poesia das coisas simples descobertas no meio do caos, no meio deste vício sem fim que é viver em uma cidade como a nossa.”
 
     
 
 
     
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CRONOGRAMA DE GRAVAÇÃO

 
     
 
Para ter um melhor rendimento no set de gravação, uma equipe deve estar afinada com os tópicos listados na “ordem do dia”
 
     
 

Agora que os critérios para a organização de um calendário de gravação já foram esclarecidos (Zoom Magazine edição 125), daremos um passo adiante e entenderemos como se organiza uma “Ordem do Dia”; ou, dando nome aos bois, como dividir detalhadamente cada dia de gravação em turnos e horas separados por atividades para obter o melhor rendimento possível da equipe. Ilustrando: ao montar o calendário, conseguimos saber exatamente quais e quantas cenas serão gravadas por dia. Agora é necessário olhar cada um desses dias com uma “lupa” para garantir que, de fato, aquilo que se propôs no calendário poderá ser cumprido. E os pontos que devem ser levados em consideração são os listados a seguir.

ENTENDA A LÓGICA DOS TURNOS
Via de regra, dividimos um dia regular de gravação em três turnos – “Manhã”, “Tarde” e “Noite”. Esses turnos, porém, possuem características distintas quanto às suas durações (característica ditada por conta da luminosidade natural que pode interferir diretamente na gravação). O turno da noite é considerado o mais longo de todos, já que, em termos de fotografia, a luz externa natural permanece virtualmente idêntica por cerca de 10 ou 12 horas, dependendo da estação do ano. Isto quer dizer que, para as câmeras, não há diferença alguma entre 20h00 e 04h30 da manhã, por exemplo. Já os turnos matutinos e vespertinos são mais curtos, levando-se em consideração que a incidência dos raios solares varia muito em um curto espaço de tempo (com exceção de dias nublados, evidentemente) e mesmo intervalos rápidos apresentam uma diferença gritante de luminosidade (as sombras e luzes percebidas na pele de um ator às 09h30 produzem um resultado extremamente diferente das sombras e luzes percebidas ao meio-dia, certo? Logo, caso sua gravação esteja sujeita à interferência de luminosidade natural, tais características devem ser sempre observadas! Vale ressaltar que, mesmo gravando em uma locação interna (sala ou quarto de apartamento, por exemplo), a luz natural pode sim produzir um forte impacto, ainda que através de uma janela, porta aberta ou varanda. Portanto, cuidado ao planejar muitas cenas para os turnos matutinos e vespertinos. Geralmente uma ou duas cenas (e me refiro aqui, é claro, à maioria dos casos, já que sempre haverá situações específicas que diferem dos exemplos citados) é o limite para cada um desses turnos. Já o turno da noite apresenta uma flexibilidade maior e é possível planejar mais cenas (dependendo, é claro, da disponibilidade da equipe). Importante: se absolutamente todas as cenas planejadas forem internas – ou ainda, gravadas em um estúdio controlado –, pode-se reduzir a divisão dos turnos para dois ao invés de três, o que resulta em uma ordem do dia um pouco mais confortável,
com turnos maiores e equilibrados...

 
     
 
 
     
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NO COMPASSO DA EVOLUÇÃO

 
     
 
Por Ricardo Bruini
Fotos TV Globo / Márcio de Souza
 
 
Com o aprimoramento do vídeo HD, as câmeras passaram a demandar uma
óptica à altura desses equipamentos
 
     
 

As antigas câmeras de vídeo SD costumavam utilizar objetivas não muito precisas e fabricadas com materiais pouco nobres, mas que ofereciam qualidade suficiente para as utilizações mais corriqueiras. Mesmo com o advento de tecnologias de vídeo digital SD, a qualidade das objetivas pouco melhorou e suas limitações não traziam “graves” problemas ao material captado.
Atualmente, com a crescente evolução tecnológica do vídeo HD, as novas câmeras precisam de uma óptica à sua altura. Muitas vezes essas objetivas custam tanto quanto (ou não raro) mais que as próprias camcorders high definition em que são utilizadas.

FABRICAÇÃO ESPECIAL
Cada vez mais os fabricantes de objetivas para vídeo (especialmente os tradicionais Canon e Fujinon) se empenham em manufaturar equipamentos que permitam oferecer nitidez às imagens captadas em HD e menor grau de perda de luminosidade, além de substancial diminuição nas aberrações ópticas e cromáticas. No entanto, esbarram em algumas questões, não só tecnológicas, mas, principalmente, econômicas. As objetivas do tipo zoom fabricadas especialmente para câmeras de vídeo HD broadcast foram desenvolvidas para serem práticas e relativamente baratas, o que significa que não devem custar mais que as próprias câmeras para as quais foram fabricadas.

O problema de objetivas mais baratas é que os materiais de que são feitas as lentes têm pouca qualidade e tendem a gerar aberrações ópticas (distorções e perda de foco em determinadas partes da imagem) e cromáticas (diferenças no foco das diferentes cores e “invasão” de determinadas cores em outras). Outra questão é a pouca luminosidade, pois objetivas baratas tendem a ser um, dois e até três Fstop mais escuras que as equivalentes mais caras. Possuem, também, menor precisão nos ajustes (foco, íris, zoom etc.). É comum notarmos, particularmente no ajuste de foco, aquilo que chamamos de “uma lente que respira muito”, ou seja: ao se ajustar o foco, percebemos uma ligeira alteração na distância focal da objetiva – isto, devido à pouca precisão dos mecanismos internos...
 
     
 
 
     
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VISÃO “MACRO”

 
     
 
Por Ricardo Bruini
Fotos Arquivo
 
 
O que muda na rotina de um operador de câmera com o advento das
imagens digitais HD?
 
     
 

Na edição anterior fizemos um paralelo entre os procedimentos e condições de trabalho dos “antigos” profissionais do vídeo e as novas atribuições que cada função terá dentro de um set de gravação nesta fase do “vídeo digital HD”. A convergência de tecnologias tem tornado a distância entre vídeo e cinema muito pequena, a ponto de, em vários momentos, não ser mais possível distinguir um do outro – e estes, da fotografia.
Antes de abordarmos as novas profissões que surgem (e outras que ainda virão), analisemos as mudanças drásticas que as profissões clássicas estão sofrendo. Afinal, hoje, todos os profissionais envolvidos no processo de captação digital precisam ter conhecimentos amplos, que vão desde a precisa óptica do cinema até conhecimentos avançados de informática, passando pela intimidade com a complexa eletrônica existente nas câmeras de vídeo (ou mesmo, nas de fotografia).
Talvez o operador de câmera (juntamente com os assistentes de câmera) seja o profissional que mais tenha que se adaptar!

DO CINEMA PARA O VÍDEO...
Um operador de câmera acostumado com cinema convencional (e todos os procedimentos relacionados, como exposição baseada na fotometria, range de tons baseados na paleta oferecida pela emulsão, enorme latitude de exposição, técnicas de manuseio mecânico etc.) terá enormes dificuldades ao se deparar com a complexa eletrônica das câmeras atuais (mesmo as mais baratas!), sem contar o domínio de informática, hoje, essencial.

Para este profissional acostumado a confiar na fotometria (direta ou refletida), expor uma cena torna-se bastante difícil, uma vez que as tecnologias HD (mesmo as mais avançadas) não possuem a enorme latitude de exposição da película. Resultado: qualquer erro de fotometria ou de ajuste de diafragma (que antes “passava batido”) agora poderá colocar a perder todo o material captado...
 
     
 
 
     
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