Agora que os critérios para a organização de um calendário de gravação já foram esclarecidos (Zoom Magazine edição 125), daremos um passo adiante e entenderemos como se organiza uma “Ordem do Dia”; ou, dando nome aos bois, como dividir detalhadamente cada dia de gravação em turnos e horas separados por atividades para obter o melhor rendimento possível da equipe. Ilustrando: ao montar o calendário, conseguimos saber exatamente quais e quantas cenas serão gravadas por dia. Agora é necessário olhar cada um desses dias com uma “lupa” para garantir que, de fato, aquilo que se propôs no calendário poderá ser cumprido. E os pontos que devem ser levados em consideração são os listados a seguir.
ENTENDA A LÓGICA DOS TURNOS
Via de regra, dividimos um dia regular de gravação em três turnos – “Manhã”, “Tarde” e “Noite”. Esses turnos, porém, possuem características distintas quanto às suas durações (característica ditada por conta da luminosidade natural que pode interferir diretamente na gravação). O turno da noite é considerado o mais longo de todos, já que, em termos de fotografia, a luz externa natural permanece virtualmente idêntica por cerca de 10 ou 12 horas, dependendo da estação do ano. Isto quer dizer que, para as câmeras, não há diferença alguma entre 20h00 e 04h30 da manhã, por exemplo. Já os turnos matutinos e vespertinos são mais curtos, levando-se em consideração que a incidência dos raios solares varia muito em um curto espaço de tempo (com exceção de dias nublados, evidentemente) e mesmo intervalos rápidos apresentam uma diferença gritante de luminosidade (as sombras e luzes percebidas na pele de um ator às 09h30 produzem um resultado extremamente diferente das sombras e luzes percebidas ao meio-dia, certo? Logo, caso sua gravação esteja sujeita à interferência de luminosidade natural, tais características devem ser sempre observadas! Vale ressaltar que, mesmo gravando em uma locação interna (sala ou quarto de apartamento, por exemplo), a luz natural pode sim produzir um forte impacto, ainda que através de uma janela, porta aberta ou varanda. Portanto, cuidado ao planejar muitas cenas para os turnos matutinos e vespertinos. Geralmente uma ou duas cenas (e me refiro aqui, é claro, à maioria dos casos, já que sempre haverá situações específicas que diferem dos exemplos citados) é o limite para cada um desses turnos. Já o turno da noite apresenta uma flexibilidade maior e é possível planejar mais cenas (dependendo, é claro, da disponibilidade da equipe). Importante: se absolutamente todas as cenas planejadas forem internas – ou ainda, gravadas em um estúdio controlado –, pode-se reduzir a divisão dos turnos para dois ao invés de três, o que resulta em uma ordem do dia um pouco mais confortável,
com turnos maiores e equilibrados...