CAPTAÇÕES AÉREAS – PARTE 1

Elas incrementam um audiovisual, mas cenas aéreas nem sempre são fáceis (ou baratas) de fazer

Texto: Ricardo Bruini
Imagens: Divulgação

É indiscutível o impacto visual causado por imagens aéreas: o espectador se sente parte integrante da ação, “voando” junto com a câmera. Mas, para se conseguir tomadas aéreas de tirar o fôlego, é preciso muito mais do que apenas prender uma câmera ao esqui de um helicóptero (ou à asa de um monomotor). Deve-se utilizar os equipamentos adequados e as técnicas apropriadas a cada trabalho – além, é claro, de contar com uma forcinha de “São Pedro”.

Nessa série de artigos, a Zoom Magazine entrará no mundo das cenas aéreas, abordando equipamentos e técnicas que fazem a diferença no quesito “imagens de impacto”.

Helicóptero “news”
Certamente, o leitor já está familiarizado com os noticiários de TV que exibem, ao vivo, imagens aéreas dos locais dos acontecimentos e boletins de trânsito. Esta é uma situação corriqueira para a maioria dos espectadores de TV. Embora, em casos exclusivamente voltados ao Jornalismo, o impacto visual e a bela fotografia não sejam importantes (e, talvez, nem desejáveis), ainda assim é um trabalho que exige técnica e equipamentos de ponta. Tal façanha é obtida utilizando-se helicópteros especialmente fabricados para a captação e transmissão de imagens ao vivo, os quais contam com bolhas giroestabilizadas (dentro das quais são fixadas câmeras com teleobjetivas poderosas). Devido a esta tecnologia, mesmo com “zoom” totalmente acionado, a imagem não trepida.

No Brasil, dois modelos de aeronaves são os mais utilizados pelas emissoras de TV para tal finalidade: o Robinson 44 e o Esquilo.

Robinson Newscopter
Leve e ágil, a plataforma de captação e transmissão de imagens montada sobre helicópteros modelo Robinson 44 Newscopter (projeto e fabricação norte-americana) possui uma câmera broadcast (standard ou high definition, dependendo da configuração desejada) alojada no interior de uma bolha giroestabilizada imune a trepidações, situada no nariz da aeronave. Outras três microcâmeras distribuídas no interior da cabine são responsáveis por detalhes do repórter e/ou do piloto. Há, ainda, uma outra microcâmera posicionada na cauda da aeronave. Esta é a disposição básica das câmeras, havendo variações de acordo com as necessidades.

O comando da câmera principal é efetuado por meio de controles do tipo joystick, através dos quais o operador pode movimentá-la em qualquer direção. Além de controlar os movimentos da câmera, o operador pode, de dentro da cabine, efetuar todos os demais ajustes – foco, zoom, white balance, configurações de menu etc.

O casulo giroestabilizado que abriga a câmera principal evita que as trepidações (inerentes ao voo de helicóptero) interfiram na imagem. Sendo assim, mesmo que a aeronave trepide bastante durante o vôo, a imagem captada pela câmera estará totalmente livre de vibrações e oscilações, permanecendo estabilizada mesmo quando a lente da câmera é utilizada na posição teleobjetiva.

Além de comandar a câmera principal, o operador tem a bordo uma mesa de cortes, através da qual pode optar entre as cinco câmeras disponíveis, imagens de VT ou sinais externos. As imagens podem ser gravadas diretamente em VTs profissionais ou transmitidas para uma antena receptora através de link por microondas.

Esta plataforma também pode ser utilizada como antena repetidora de sinais, função normalmente desempenhada quando as equipes de solo não podem “fechar” o link ao vivo diretamente com a emissora (devido a interferências topográficas). Assim, o helicóptero passa a “rebater” os sinais ao vivo vindos das equipes de solo, enviando-o para a antena da emissora.

Emissoras de TV e empresas profissionais do ramo da captação de imagens aéreas são os principais clientes desse tipo de aeronave que já sai de fábrica com as adaptações e os equipamentos de vídeo. Possui motor aspirado, rotor com duas pás e é capaz de transportar piloto, operador de câmera e repórter.

Devido à sua versatilidade, também é comum vermos plataformas Robinson 44 Newscopter sendo utilizadas em captações aéreas para competições de rally e gravações de outros produtos audiovisuais mais rebuscados.

Esquilo News
A plataforma de captação e transmissão de imagens montada sobre helicópteros modelo Esquilo (projeto europeu) possui recursos semelhantes aos oferecidos pelo Robinson 44. Com a vantagem de se ter à mão todas as conveniências de uma aeronave maior, com motor biturbinado, rotor de três pás (o que garante menor trepidação e maior conforto durante o voo), capacidade de carga superior (pode transportar, além do piloto e do operador de câmera, mais três passageiros) e maior autonomia de voo. No entanto, o custo do equipamento (compra e manutenção) chega a ser três vezes superior ao de um helicóptero Robinson 44, o que faz seu uso, no Brasil, ser restrito às grandes emissoras de TV (que podem bancar um equipamento deste porte).

Limitações
Essas aeronaves do tipo “News” são muito eficientes e versáteis para o Jornalismo diário, mas, embora custem caro e ofereçam todas as maravilhas proporcionadas pela tecnologia de ponta, têm algumas limitações em utilizações mais rebuscadas.

Tais helicópteros não permitem a troca das câmeras por outros modelos, ficando o equipamento restrito às especificações e aos formatos de gravação para as quais foram fabricados inicialmente. Portanto, não é possível optar por formatos de gravação diferenciados ou por lentes do tipo fish eye (olho de peixe) e outras configurações mais específicas.

Em situações nas quais a qualidade de imagens se sobrepõe à praticidade, a alternativa é optar por equipamentos especiais de estabilização acoplados a helicópteros comuns. Mas isto é assunto para o próximo artigo.

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