CAPTAÇÕES AÉREAS – PARTE 2!

Desafiadoras por natureza, cenas captadas a bordo de helicópteros podem exigir a utilização de equipamentos especiais

Texto: Ricardo Bruini
Imagens: Divulgação

Vimos, na matéria anterior, todas as maravilhas proporcionadas por helicópteros especialmente adaptados para a captação e transmissão de imagens ao vivo, os chamados helicópteros “News”, que já saem de fábrica com configurações específicas para o jornalismo diário e um modelo fixo de câmera. No entanto, essas máquinas – que são formidáveis em coberturas de trânsito e transmissões esportivas ao vivo – não oferecem os recursos necessários para situações nas quais são requeridas imagens captadas com algum tipo específico de câmera (tampouco possibilitam o uso de lentes especiais).

Para estas situações, é preciso acoplar a câmera a aeronaves comuns e utilizar equipamentos específicos para estabilização, controle, ajustes e movimentos de câmera.

Giroestabilizador “universal”
O giroestabilizador utiliza um sistema giroscópico para manter a câmera livre de trepidações. Assim, a imagem permanece totalmente estável, mesmo utilizando-se lentes teleobjetivas. Um giroscópio faz a leitura dos movimentos da aeronave, fazendo com que o casulo no qual está alojada a câmera efetue o movimento contrário, anulando as vibrações. O equipamento pode ser montado tanto no nariz da aeronave quanto na lateral.

Os helicópteros de jornalismo (News) possuem sistemas de giroestabilização semelhantes. O inconveniente é que, nos sistemas fabricados para o jornalismo, não é possível utilizar um modelo de câmera de vídeo diferente daquele para o qual o equipamento foi concebido. Também não se pode trocar a câmera de vídeo por uma de cinema digital, de alta velocidade para obtenção de slow motion ou, ainda, que requeira objetivas especiais.

Um giroestabilizador “universal” permite que qualquer modelo de câmera (dentro de determinados parâmetros de dimensões e peso) seja alojado no interior de seu casulo (esfera dentro da qual a câmera é acondicionada). Infelizmente, tal equipamento é bem difícil de ser encontrado no Brasil. Muitas vezes, é preciso locá-lo no exterior.

O uso de um giroestabilizador que comporte qualquer tipo de câmera, assim, fica restrito a grandes produções, que tenham condições de pagar pelo aluguel desses equipamentos. No caso de locação no exterior, além de ser preciso esperar que o equipamento alugado saia do país de origem e dê entrada no Brasil, deve-se “importar” mão-de-obra especializada para a montagem e operação do sistema. O helicóptero no qual será montado o equipamento também requer uma autorização especial para levantar voo com esta traquitana acoplada.

Analisados esses pontos, é fácil notar que poucas produções brasileiras dispõem de dinheiro, tempo e organização logística suficientes para se darem ao “luxo” de utilizar este sistema. Mas, quando se apresentam tais condições, os resultados compensam!

Side Mount
Uma alternativa muito utilizada no Brasil é o side mount, que permite a total estabilização de qualquer tipo e tamanho de câmera, desde pequenas camcorders HD e DSLR até pesadas câmeras de cinema.

Em termos de estabilização, o resultado obtido é idêntico ao do casulo giroestabilizado. O inconveniente fica por conta da limitação de movimentos da câmera, pois, uma vez que o side mount (como diz o próprio nome em Inglês) é montado na lateral do helicóptero, muitos ângulos não podem ser efetuados. A porta lateral traseira é retirada (ou simplesmente aberta, dependendo do modelo da aeronave) e o conjunto – constituído por um braço estabilizado, caixa de giroestabilização, baterias, manoplas de comando e assento para operador de câmera – é fixado à lateral.

O cinegrafista se posiciona com parte do corpo para fora da aeronave (com total segurança e devidamente preso por cintos). Embora exija pouco esforço do operador e permita facilidade de movimentos, alguns ângulos de câmera são impossíveis (devido ao posicionamento lateral). Por exemplo, tomadas aéreas frontais ou imagens com a câmera inclinada para baixo ou para cima (pois o esqui do helicóptero e as pás do rotor “vazam” no enquadramento). Muitos dos movimentos da câmera ficam à mercê da habilidade do piloto em deslocar o helicóptero lateralmente para se obter, por exemplo, uma tomada frontal.

Minigyro
Há, ainda, um equipamento portátil bem similar ao sistema de estabilização utilizado no side mount, o Minigyro (da fabricante Tyler). Trata-se, na realidade, de um sistema de estabilização individual portátil e desenvolvido para substituir a steadicam em captações de imagens “em solo”. Porém, diferentemente de uma Minigyro, uma steadicam não pode ser utilizada para estabilização em aeronaves.

Os movimentos e a inércia do voo de helicóptero não podem ser absorvidos de maneira satisfatória pelo conjunto de braço articulado e pêndulo da steadicam. Além disso, o pêndulo deste sistema dificulta sobremaneira a movimentação da câmera na lateral da aeronave, principalmente quando se deseja apontar o equipamento para baixo. Já o sistema de giroestabilização da Minigyro não sofre influência da inércia do voo e pode ser utilizado em captações de imagens aéreas com resultados bastante satisfatórios. Por não depender de pêndulos, pode ser facilmente apontada para baixo, sem perda da estabilização. Sendo um sistema portátil e relativamente leve, é fácil de ser instalado no próprio banco da aeronave e dispensa grandes adaptações ou “traquitanas”. Os inconvenientes são os mesmo do side mount, devido à acoplagem lateral na aeronave.

O funcionamento do Minigyro baseia-se no mesmo princípio que nos permite andar de bicicleta. Ou seja: se uma bicicleta estiver parada, tomba para os lados; se estiver com as rodas em movimento, permanece equilibrada. Isto se deve ao movimento das rodas, que cria uma força de giroestabilização. Quanto mais rápido as rodas girarem, mais intensa será a estabilização. Partindo deste princípio, o equipamento conta com “rodas” (alojadas dentro de uma caixa) que giram a grandes velocidades, movidas por pequenos motores elétricos. Elas criam forças contrárias que anulam as trepidações em todo o sistema e, por conseguinte, na câmera acoplada ao conjunto.

Há, ainda, diversos recursos para a fixação da câmera à fuselagem da aeronave, além de sistemas de estabilização “caseiros” que garantem resultados até satisfatórios (em algumas situações).

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