TÉCNICAS PARA FAZER EFEITOS CINEMATOGRÁFICOS

Cada vez mais, os diretores de fotografia têm que iluminar filmes e vídeos para efeitos visuais utilizando a técnica do Chroma Key

 

Por Emerson Calvente

Fotos Divulgação

 

Na definição de Ephraim Katz, autor da enciclopédia “The Film Encyclopedia”, efeitos visuais são “efeitos artificialmente executados usados para criar impressões ilusórias em um filme”.

 

Geralmente, trata-se da produção de imagens ou de registros não realistas, ainda que, muitas vezes, o efeito pretendido sobre a platéia seja criar a ilusão de “realidade”.

Para Ron Miller, autor de “Special Effects – An Introduction to Movie Magic”, “efeitos visuais são ilusões que permitem aos cineastas enganar suas platéias”. Os filmes de efeitos visuais estão repletos de seres fantásticos, carros voadores, cidades fabulosas, proezas impossíveis e explosões. E há uma vasta bibliografia de autores simpáticos ou não à utilização de efeitos visuais.

 

Para Raymond Fielding, em “Techniques of Special Effects Cinematography”, efeitos devem ser usados quando as cenas definidas no roteiro são “muito caras, muito difíceis, muito demoradas, muito perigosas ou, simplesmente, impossíveis de alcançar técnicas fotográficas convencionais”.

  1. J. Mitchell, em “Visual Effects for Film and Television”, oferece três justificativas: “criar coisas que não existem (e que não poderiam existir), preservar elenco e equipe de situações de risco e consertar ou ajustar imagens que não tenham sido captadas de maneira integralmente satisfatória”.

 

TÉCNICAS

Os primeiros registros da utilização de efeitos visuais no cinema datam quase do nascimento do cinema, através de truques já conhecidos da fotografia tradicional, como as exposições múltiplas (cronofotografia).

 

O ilusionista francês Georges Méliès produziu mais de 500 filmes utilizando truques de ilusionismo e técnicas fotográficas de exposições múltiplas. Não raro, em diversos textos, é citado como o “pai dos efeitos especiais” no cinema. Um de seus filmes mais conhecidos é “Le Voyage Dans la Lune” (“Viagem à Lua”), de 1902. Inspirado em uma novela de Júlio Verne, com 14 minutos de duração, foi o primeiro filme da história a tratar de seres extraterrestres.

 

Méliès construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa – e também foi o primeiro a usar desenhos de produção e storyboards para planejar e projetar suas cenas.

 

Um storyboard parece uma história em quadrinhos, mas sem os “balões” com os textos das falas dos atores. É o filme contado em quadros desenhados ou as ações divididas em quadros.

Já o animatic mistura ilustrações, animações, músicas e vozes com o mesmo objetivo do storyboard: planejar visualmente as sequências e ações que posteriormente serão filmadas.

 

Em filmes de efeitos visuais, o planejamento é fundamental para minimizar o risco de cometer erros e ter que filmar cenas novamente. Além disso, o storyboard e o animatic ajudam o diretor e a equipe a entender o ritmo e o “clima” das cenas. Vale lembrar que, atualmente, quase todos os filmes de efeitos visuais utilizam técnicas de Chroma Key e “composição digital”, que exigem ainda mais planejamento das equipes de produção.

 

Chroma Key é uma técnica cujo objetivo é substituir o fundo de uma cena por outra imagem. Para isso, os personagens ou objetos são filmados isoladamente contra fundos iluminados de maneira uniforme. Os fundos são, geralmente, verdes ou azuis. Posteriormente, as imagens são combinadas ou compostas com outra imagem de fundo. A composição digital é o processo de juntar digitalmente essas múltiplas imagens a fim de obter uma imagem final.