PEQUENOS CINEASTAS!

Estudantes da Escola Carlitos (SP) vivenciam o cinema desde os primeiros anos da vida escolar

Texto: Karina Fascina
Fotos: Divulgação

Dono de um visual inconfundível – chapéu coco, bengala, sapatos enormes e bigode – o vagabundo Carlitos soma inúmeras histórias que misturam diversão e crítica social.  Através de produções em preto e branco e apenas utilizando gestos, o mais conhecido personagem de Charles Chaplin ganhou fama e reconhecimento e se tornou um marco da história da sétima arte.

Com 101 anos de vida, as histórias de Carlitos ultrapassam gerações e servem de inspiração. Um grande exemplo da influência do personagem está dentro de uma sala de aula. Localizada na região oeste de São Paulo,  a Escola Carlitos – nome em referência ao célebre personagem – tem uma relação bem próxima com a sétima arte e todo um trabalho voltado ao estímulo criativo de fazer cinema.

A escola atende alunos da educação infantil até o ensino fundamental II (9º ano) que possuem durante toda a sua formação escolar, além das disciplinas obrigatórias – como português, matemática e ciências – um contato próximo com a arte de forma interativa e compartilhada. Por meio do projeto ‘Aprendiz de Cinema’, criado em 2009, os estudantes são levados a uma visão crítica da sétima arte e produzem pequenos filmes e curtas com base em aulas teóricas e práticas.

O cineasta Paulo Pastorelo – mestre em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Universidade de Paris 3, Sorbonne Nouvelle –  é o responsável pelo projeto na Escola Carlitos e explica que o cinema sempre teve um papel fundamental na escola. “O projeto tem como objetivo discutir o cinema enquanto arte. Os alunos vão ao cinema três vezes ao ano junto à escola e são realizados debates em cima da narrativa, figurino, diretores e disposição da câmera. Temas como o enquadramento, plano e como contar a história também são abordados em sala de aula”, afirma Pastorelo, que além de dar aulas de cinema para os alunos, se dedica ao roteiro do longa “As batalhas noturnas”, uma ficção livremente inspirada na obra homônima do historiador italiano Carlo Ginzburg.

Para lecionar aos estudantes, os professores recebem formação dada pelos cineastas. Durante toda a formação, os alunos conhecem a técnica e são colocados na prática da profissão. Desde a adaptação da literatura para o cinema, filmes de animação e a realização de um curta, os jovens trabalham em grupo e tem como objetivo despertar a sensibilidade e a formação de um olhar crítico.

Mãos à obra
Para realizar as aulas práticas, os alunos têm duas câmeras à disposição – Sony PXW-X70 e Canon XA10 HD, as duas com entrada XLR para microfone externo na qual se conecta um “boom” (microfone direcional c/ suspensão e zepelim) para captação do som direto.

Segundo o profissional, a escola não recebe nenhum apoio com os equipamentos, mas conta com a parceria do Departamento Pedagógico da Cinemateca Francesa, o que possibilita aos estudantes apresentarem o resultado de seus trabalhos no Festival da Cinemateca Francesa e Brasileira, na França.

Para os trabalhos finais, a escola conta com o apoio de profissionais de cinema – um técnico de som direto que traz o próprio equipamento (incluindo mixer) e um assistente de câmera para auxiliar a equipe de câmera com os equipamentos disponíveis na escola. Na parte da edição, são utilizado os programas Final Cut e Adobe Première.

Família presente
A relação da escola com a sétima arte tem sido muito bem recebida pelos pais dos estudantes. Pastorelo explica que essa união também influencia na relação do aluno com o meio escolar. “Eventos como a exposição do 7º ano, ‘Infância no Cinema – 100 anos Carlitos’ e o ‘Encontro Anual do Cinema’ estão cada vez mais cheios”.

A Escola Carlitos deixa claro que o seu objetivo não é formar cineastas, mas é interessante ver que todo esse trabalho pode render bons frutos na profissão. “Alguns alunos adoram o projeto, mas não tem intenção de seguir na profissão. Por outro lado, temos alunos que fizeram blogs e fazem críticas de cinema’’, relata. Nesse segundo caso, destacam-se três alunos que, após conclusão de seu segundo curta-metragem, criaram o canal ‘Sachet Filmes’ no Youtube e a página no Facebook, no qual o trio apresenta criticas e dicas de filmes.

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