PEQUENOS GRANDES CLIPES

O segredo de um bom videoclipe não está no orçamento e nem no equipamento. Neste gênero, a criatividade é fundamental

Texto: Fernando Vitolo
Imagens: Divulgação

Este mês, nosso tema é a produção de vídeoclipes criativos. Mas onde reside essa “criatividade”? O que distingue um videoclipe marcante dos demais? O equipamento? Ou uma excelente animação e composição? A ideia principal, aqui, é inspirar o leitor a desenvolver vídeos de baixo custo, mas muito criativos. Além de abordarmos técnicas simples, que estão ao alcance de qualquer um.

Iniciaremos falando sobre a banda OK GO. Costumo acompanhá-la não pela música, mas por seus excelentes e criativos vídeoclipes, cujos elementos, simples, nos enchem os olhos.

Sucesso na internet
“Here It Goes Again” é o primeiro vídeoclipe que a banda lançou, em 2006. Fez muito sucesso e “viralizou” na Internet. É realmente simples. Não exige muito conhecimento de vídeo, cenografia, figurino, mega-locações ou grandes efeitos de pós-produção. O que chama atenção é a coreografia criada com oito esteiras.

O mesmo exemplo de plano sequência, câmera parada e fundo simples pode ser visto neste outro vídeoclipe da banda “White Knuckles”. A coreografia com os cachorros não deve ter sido nada fácil de desenvolver e ensaiar. Já no próximo vídeo, “End Love”, eles misturaram técnica de slow motion, fast motion, time lapse e stop motion. Isto requer um conhecimento de vídeo mais aprofundado, mas que ainda são simples, se comparados aos grandes trabalhos de composição.

Reação em cadeia
O leitor já ouviu falar na máquina de Rube Goldberg? Talvez não, mas, certamente viu algum vídeo que aproveitasse aquele conceito. Você se lembra da abertura do programa Rá Tim Bum, na qual um ratinho corria em uma esteira e diversas outras ações se desenrolavam a partir desta ação? Caso não se lembre, a abertura pode ser conferida neste link.

O conceito da máquina é o seguinte: executar uma tarefa simples de maneira extremamente complicada, geralmente utilizando uma reação em cadeia usado no clipe “This Too Shall Pass”, da banda OK GO. Um camera man com o steady cam já é capaz de percorrer todo o estúdio da maneira que isto foi feito. Repare na equipe toda aparecendo no final do vídeo. E imagine só cometer um erro durante a captação e ter que recomeçar tudo do zero.

Já o “The Writing On The Wall” parece ter sido um trabalho difícil, especialmente em termos de pré-produção. E repare que estes são efeitos realizados durante a produção, não na “pós”. Isto torna o vídeo ainda mais atraente. No link a seguir, confira um dos últimos clipes da OK GO, já com a utilização de um drone.

TRACKING
Na sequência, daremos uma olhada no clipe de outra banda (o da música “D.A.N.C.E”, do Justice). Creio que foi um dos primeiros vídeoclipes que me chamaram atenção quando comecei a estudar VFX e animação.

As animações são feitas após as gravações, por meio de um processo denominado “tracking”. Mas, afinal, o que seria isso? Basicamente, se trata de reconhecer os movimentos da câmera e, com isso, conseguir trackear uma nova informação. Por exemplo: fazer a animação exatamente em cima das camisetas em movimento. É um processo trabalhoso e demorado e as animações são muito complexas.

Também costumo acompanhar o trabalho da banda Mutemath. Selecionei dois vídeoclipes, sendo, o primeiro, da música “Typical”. O efeito utilizado aqui foi o vídeo reverse. Ou seja: tudo o que foi gravado é exibido de trás para frente. Mas como a boca se movimenta de acordo com a letra? Aí está a grande sacada: ele decorou a música de trás para frente! Então quando o efeito reverse é aplicado, tudo se encaixa direitinho.

A outra música é “Spotlight”. É um vídeo bem simples em termos de cenografia e figurino. Basicamente é um plano sequência com a câmera fixa no tripé e aceleração (fast motion) aplicada na pós-produção. Para cantar no tempo certo da música, esta é reproduzida em slow e o artista a canta vagarosamente.

O próximo vídeo é de uma banda japonesa pouco conhecida no Brasil, a Sour. Este clipe, em particular, é muito criativo, tanto pela montagem como pelos poucos recursos empregados. Ou seja: com webcams, já conseguimos montar um vídeo muito legal. É claro que a edição não foi fácil! É preciso muito planejamento para minimizar ao máximo o tempo gasto com a pós-produção. E, falando em custo, de uma espiada no Flakjakt “Cacades”: um clipe feito inteiramente com iPhone 4!

Foco na pré-produção
Outro clipe sensacional é este de Oren Lavie, “Her Morning Elegance”. Foi totalmente feito em stop motion. É interessante assistir ao making of e perceber que usaram técnicas de animação 3D para auxiliar o posicionamento na hora das fotografias. E não deixe de conferir este videoclipe aqui, do REM “Imitation of Life”. Com um take curto de gravação foi possível fazer o vídeo inteiro, apenas com reverse e aproximação de partes diferentes dentro do enquadramento proposto.

Para concluir, o videoclipe da banda oriental androp “Bright Siren”. Este trabalho já exige recursos que vão além da técnica de vídeo (a quantidade de máquinas fotográficas e flashes). A dica principal é: invista tempo na pré-produção. Por mais simples ou de baixo custo que seja o vídeo, isto evitará problemas futuros. Preocupe-se com cada detalhe e faça a diferença em seus trabalhos.

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