POSES DOS PERSONAGENS ANIMADOS

Fundamentais no processo de animação, elas nos ajudam a criar personagens mais críveis e eloquentes

Texto: Larissa Cardoso Paz

Fotos: Shutterstock

A criação da “pose” do personagem durante a animação é uma das etapas mais importantes, pois é com ela que obtemos personagens convincentes e com personalidade, de modo a deixar as histórias mais cativantes para o espectador.

        Entre as características de uma pose, temos alinha de ação” – uma curva que se forma entre o corpo do personagem, compondo sua cabeça e pernas e passando pelo tronco. Na imagem 01, é possível observar que a linha de ação (amarela) está diretamente ligada à posição do ombro e quadril, representada pela linha vermelha. Mas o que é uma boa linha de ação?

 

EMOÇÕES

Na animação, sempre buscamos poses que transmitam a personalidade do personagem ou sua emoção em um determinado momento: pode ser tristeza, timidez, felicidade, bravura… Essas emoções são representadas na linha de ação por meio de curvas, com o ombro e o quadril em posições diferentes.

        Na imagem 02, podemos analisar como a primeira pose não tem volume para câmera, pois o ombro e o quadril estão paralelos, enquanto, nas demais poses, temos o personagem com bastante exagero e com o corpo bem curvado.

        Raramente teremos um personagem totalmente reto para câmera – e digo “raramente” porque não existe regra na animação: você provavelmente verá algum take de um filme com o personagem reto e isso funcionará perfeitamente naquela ocasião.

EQUILÍBRIO

Outro aspecto importante na criação de uma pose é o “equilíbrio”: durante o processo de criação de uma animação, é possível posicionar o personagem livremente, de forma que a gravidade e o equilíbrio podem virar um tema esquecido para o animador iniciante.    Erros comuns, como o que vemos na imagem 03, mostram a relevância do equilíbrio do personagem. É necessário pensar no peso não apenas do quadril, mas do tronco e das pernas.

        Não há nada de errado em deixar o quadril desiquilibrado se o tronco e as pernas compensarem esse peso, como na imagem 04. Uma forma segura de não cometer esse engano é sempre gravar referência. Na verdade, gravar referência é uma forma segura para não cometer qualquer erro na animação. Fica a dica!

        Durante a animação, o espectador não pode ter qualquer dúvida sobre o que está acontecendo na cena. Pois, se uma dúvida surgir, não haverá mais o envolvimento com a história. A “silhueta” é fundamental para evitar esse problema.

 

SILHUETA

A silhueta é representada pelo contorno do personagem na câmera e pode variar de acordo com a pose do personagem. Veja o exemplo das imagens 05 e 06: duas formas diferentes da mesma situação, mas, quando olhamos a silhueta, sabemos qual pose é a mais clara. Uma boa silhueta é a que evidencia a parte mais importante da cena – se o foco dessa pose for o celular, precisamos ter “espaço negativo” em sua volta. Uma pose com pouco espaço negativo provavelmente ficará confusa.

        A última dica, não menos importante, é a aplicação do “exagero”. Mesmo nas mais realistas das animações, é possível enxergar as poses. Em graus diferentes conseguimos intensificar a situação ou a personalidade do personagem. O exagero não só oferece o efeito cômico que vemos na imagem 07, mas melhora a linha de ação e passa uma maior ideia de força, como na imagem 08.

Larissa Cardoso Paz

É graduada em Design de Animação e especializada em Animação de Personagens 3D. Em 2015 concluiu a Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de Artes e começou a lecionar no Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual – Design de Animação na Melies.

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