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Aprenda a configurar sua câmera digital para fotos e vídeo

Texto: Luiz Carlos Lucena
Imagens: Divulgação

A todo momento, encontramos alguém com uma Canon ou Nikon na rua, fotografando ou filmando alguma coisa. A chegada das câmeras DSLR fez surgir fotógrafos e cineastas em todo lugar – alguns com conhecimentos que trazem das velhas câmeras analógicas ou aprendendo, em cursos e oficinas, a operar esses novos equipamentos. Entretanto, a maioria não sabe o que fazer com os inúmeros recursos que as câmeras digitais disponibilizam. Para sanar o problema, listamos algumas dicas básicas que tornarão o uso desses equipamentos mais amigável e produtivo. Mas, lembre-se: a qualidade do trabalho final depende de cada um.

Não trabalhe no automático!
Ok: você recebeu a câmera, tirou-a da caixa e está maravilhado com a beleza do novo equipamento e com as lentes que trabalham sozinhas, bastando, para isso, apertar um botão. Você coloca no automático e pronto: virou um fotógrafo! Mas aí está o grande problema: desse modo, você irá tirar fotos interessantes e filmar batizados ou festas corporativas com qualidade… razoável!

Trabalhar no automático é deixar que o cérebro da câmera digital – o sensor – faça tudo sozinho. Afinal, ele não passa de um chip supermoderno, que incorpora e configura automaticamente, em segundos, as principais fontes que formam uma foto ou vídeo. Ele faz o foco, mede a luz do ambiente e se encarrega da fotometria, calculando automaticamente a abertura do diafragma e a velocidade do Shutter. E sua foto sai quase perfeita. Quase…

O primeiro problema de se trabalhar no automático é que essas câmeras digitais “sentem” uma fome enorme de luz, que é seu alimento básico. Afinal: fotografia é a impressão da luz refletida pelo que temos diante da lente. Assim, ao mirar nosso objeto de cena, o sensor vai medir a luz geral, fazer seus cálculos e pronto – temos a foto. O problema é que uma invasão mínima de luz, a colocação ou o enquadramento errado do objeto na cena (além de outras variáveis), podem influir no resultado final, deixando a sua foto imperfeita. Quando você controla ao menos os parâmetros básicos da câmera e procura trabalhar no manual (ou mesmo, com as opções semiautomáticas) consegue resultados muito melhores.

Configurações básicas

A primeira coisa que você deve fazer em sua câmera é definir o idioma com o qual “conversará” com ela (quase todas “falam” em Português), bem como a data que será utilizada no registro dos arquivos de fotos e vídeo. Assim, você saberá, em dezembro, que determinada foto, feita em maio, foi a do encontro que teve com a pessoa que está no registro.

Com o menu em Português, busque alguma coisa como: “Qualidade da Imagem”. Aí, você definirá se sua foto deve ter alta resolução ou se pode ter uma resolução menor. Fotos em “alta” são usadas na impressão de materiais gráficos – é bom saber disso. E lembre-se: quanto maior a resolução, melhor a qualidade da foto e maior o tamanho de cada arquivo (o que pode “encher”, em pouco tempo, o seu cartão de memória, se este for de apenas 4 Gigas, por exemplo).

A seguir, definiremos o “Estilo de Imagem” que você irá usar – a câmera tem uma série de presets, para cada situação: Neutro, Fiel, Monocromático (preto e branco), Paisagem, Retrato e Standard, na maioria das vezes. Eu não perco muito tempo – quase sempre, trabalho no Standard, que não puxa muito a saturação e permite correções necessárias. Os profissionais criam seus próprios presets, como os chamados cinestyles, para fotos e filmagens flats, quase sem nenhuma saturação, para que se possa, na edição e finalização, fazer as correções de cor.

E agora, vamos ao mais difícil: o chamado “Balanço de Brancos”, ou seja, “como” a câmera vê e registra, no sensor, a temperatura da cor ambiente. Os sets básicos são: Luz de Dia, Sombra, Nublado, Luz de Tungstênio e Luz Fluorescente. Cada ambiente desses tem uma temperatura diferente; por isso, se você esqueceu e deixou o balanço de brancos na Luz de Tungstênio (aquela lâmpada de bulbo incandescente) e está em uma sala com luz fluorescente, as fotos sairão com a cor alterada. Isto porque a luz de tungstênio tende a deixar a foto mais quente e alaranjada e a luz fluorescente, também chamada de “luz fria”, deixa-a mais esverdeada (ou azulada).

Portanto, quando for tirar fotos externas, olhe para o céu: se estiver um dia sem nuvens, coloque em Luz do Dia; se aparecerem aquelas nuvens escuras, coloque em Nublado. O mesmo vale para quando for fotografar em ambiente interno – a luz do dia se adapta melhor às diferentes luzes de bulbo ou luz fria, mas é melhor alterar o preset para a fonte principal de luz.

Você pode tentar aquilo que os profissionais fazem: “bater o branco”, ou seja, indicar à câmera “como” ela lê a temperatura da luz ambiente. Isto é fácil, porém, meio complicado de explicar aqui (para informações complementares, vasculhe o YouTube em busca de tutoriais específicos). Bater o branco faz com que você utilize a temperatura correta (sem erros).

ISO, diafragma e shutter

Estes são conceitos mais técnicos e permitem que você faça “aquela” imagem com precisão. Mas é preciso entender o que significa cada um e o modo de combinar dois ou três deles, para tirar mais proveito de sua câmera. Falaremos por alto sobre cada um, começando pelo mais simples: ISSO.

O ISO é o tipo de filme (o qual indicamos para o sensor, nas digitais) utilizado. E mede a sensibilidade do filme à luz. Quanto menor o ISO, menos sensível é o filme (e vice-versa). Outras considerações importantes: quanto menor for o ISO, maior será a qualidade de imagem; e quanto maior for o ISO, maior será o que chamamos de ruído (imagem com pontos maiores e visíveis).

Nas câmeras analógicas, quando íamos comprar filme, tínhamos as opções de filmes P&B ou coloridos, que, geralmente, iam de ASA 100 a 400 (o mesmo que ISO) e filmes positivos coloridos – os chamados slides, que variavam de ASA 25 em diante. Se eu fosse fotografar à luz do dia, usava um filme menos sensível á luz, de 100 ASAs por exemplo; se fosse fotografar um ambiente interno com iluminação precária, recorria a um filme de 400 ASAs. Na câmera digital, não precisamos trocar o filme; basta mudar o ISO no sensor.

O diafragma mede a quantidade de luz que entra na câmera, o chamado F-Stop, que varia de F 1.0 a F.1.22 (nas câmeras digitais, esse F-Stop chega à F 1.32, F 1.40). Em linguagem simples, é o tamanho da abertura da lente por onde entrará a luz. Quanto menor o F-stop, maior a abertura do diafragma Ou seja: entra mais luz para sensibilizar o filme/sensor. Quando maior o F-stop, menor é a abertura da lente (e menos luz sensibiliza o sensor).

Já o Shutter Speed, como o nome indica, controla o tempo que a luz atravessa a lente e atinge o sensor. Quanto menor o Shutter, maior o tempo que a câmera deixa a lente aberta; quanto maior o Shutter, menor o tempo que a luz tem para atingir o sensor.

Uma boa foto precisa combinar esses três elementos – mas tudo fica bem fácil quando deixamos um deles programado, ou seja: o ISO. Dia de sol, ISO 100; ambiente escuro, ISO 400/800. Acima do ISO 800, as fotos ficarão muito pixeladas. É bom fazer uma oficina de fotografia para aprender a combinar esses parâmetros e deles tirar os efeitos que são possíveis, como: fotos noturnas, com fundo desfocado, de objetos em movimento paralisado ou em movimento que se “arrasta” – como aqueles feixes de luz dos carros à noite, formando uma linha vermelha que indica a trajetória dos veículos.

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