Causando na tela!

0
Causando na Rua

Já está no ar a segunda temporada da série “Causando na Rua”, disponível no CINEBRASiLTV

Com 13 episódios de 26 minutos, sendo dez assinados pela diretora Caru Alves de Souza e três por Mari Palumbo, a série mostra ações de coletivos no espaço público nas cidades de São Paulo e Recife com o objetivo de “causar”, propondo uma reflexão sobre as diversas formas de ressignificar esses espaços pelas propostas de múltiplos artistas.

Entre eles, o coletivo Roça de Rua que cria pequenas hortas dentro de caixas d’água colocadas no meio das rotatórias das ruas; o grupo de rap Xemalami – Xeque-Mate La Missión, que cria ações nas ruas para aproximar as pessoas da cultura hip-hop e do xadrez; o Grupo Mexa que em suas performances, faz ouvir a voz de grupos extremamente marginalizados como mulheres trans vindas de casas de acolhida; o Coletivo Deixa Ela em Paz, que faz intervenções com colagem de lambe-lambe, para transformar a realidade cotidiana das mulheres; o Exorcity, uma das turmas de pixadores mais antigas de São Paulo; o coletivo Okupa Alcântara Machado e Narra Várzea, que mostra um manifesto do futebol de várzea,entre outros.

A diretora Caru Alves de Souza é representante da nova geração de mulheres protagonistas do cinema brasileiro. Seu primeiro longa metragem De Menor (2014) participou e recebeu prêmios em festivais internacionais como San Sebastian e Marseille du Sud e nacionais como Festival Internacional do Rio de Janeiro e Mostra Internacional em São Paulo. Autora de premiados curta metragens como Assunto de Família (2011) e O Mundo de Ulim e Oilut (2011).

A direção geral é da cineasta Tata Amaral, responsável por títulos marcantes da cinematografia brasileira recente, como “Um Céu de Estrelas” (1996), filme considerado um dos três mais importantes da década de 1990; “Antônia” (2006), adaptado pelo Rede Globo numa minissérie indicado ao Emmy, o ‘Oscar da televisão’),  “Hoje” (2013), “Trago Comigo” (2016) e o recente Sequestro Relâmpago (2018) “campeão de audiência” no tela quente em maio de 2019 . A diretora responde ainda por um elogiado episódio da série “Psi”, da HBO, entre outros projetos.

A produção é da Tangerina Entretenimento em parceria com o Canal CineBrasilTV, com apoio do BRDE – Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul, FSA – Fundo Setorial do Audiovisual  e Ancine – Agência Nacional de Cinema.

CAUSANDO NA RUA –  2ª TEMPORADA

Dia 29/06  – Jardim Pirata por Roça na Rua  – de Caru Alves de Souza

O coletivo integra técnicas de arte urbana com plantio baseado nos princípios da agroecologia. Dentro de rotatórias nas ruas, o grupo instala caixas d’água envolvidas por lambe-lambes, e plantam em meio ao trânsito da cidade. A intervenção busca chamar atenção para o que comemos, para como usamos o espaço público e como nos relacionamos com a vizinhança.

Dia 06/07 – Corote Molotov por Okupa Alcântara Machado e Narra Várzea  – de Caru Alves de Souza

Time de futebol de várzea, nasceu dentro da ocupação Alcântara Machado no Brás, e desde sua formação participa de campeonatos. Através dos jogos, o time faz um manifesto pelo Direito à Cidade e dá visibilidade ao futebol de várzea que vem sofrendo com a especulação imobiliária e a privatização dos “terrões”. A partida de futebol é narrada pelo coletivo Narra Várzea, grupo composto por narradores de jogos de várzea.

Dia 13/07 – Ações Urbanas: Deriva e Lambes por Coletivo Teatro Dodecafônico e Lambe Buceta – de Caru Alves de Souza

O Coletivo Teatro Dodecafônico realiza performances que envolvem o conceito de deriva, criando procedimentos para se perder na cidade, questionando o caminhar funcional e objetivo e promovendo novos olhares e usos para os espaços públicos das cidades. Nesta performance vai se juntar ao Lambe Buceta, que através da colagem de lambe-lambe confronta a heteronormatividade convidando as mulheres a interagirem com a própria vulva. Este encontro busca pensar e questionar o uso que as mulheres fazem do espaço público.

Dia 20/07 – Terminal 10mg por Grupo Mexa – Caru Alves de Souza

Coletivo formado por artistas LGBT+, que através de táticas performativas realizam cenas definidas e improvisadas dentro de um trajeto, feito dentro de ônibus coletivos, criadas a partir de depoimentos dos integrantes do grupo, em sua maioria mulheres trans que vivem em centros de acolhidas na região central da cidade de São Paulo.

Dia 27/07 – Encruzilhada por Fragmento Urbano – Caru Alves de Souza

Grupo de dança de jovens de Guaianazes, extremo leste de São Paulo, que une danças urbanas a procedimentos de dança contemporânea, concebido para atuar no espaço urbano. Unindo a dança à uma investigação da corporeidade periférica afro-orientada, tensionam o espaço público buscando ressaltar a heterogeneidade social, étnica e social presentes na zona urbana.

Dia 03/08 – Praia do Baobá por Coletivo Praias do Capibaribe – de Mari Palumbo

A cidade do Recife é cortada pelo Rio Capibaribe, que evocada por Manuel Bandeira passou a ser o “cão sem plumas” de João Cabral de Melo Neto. O coletivo busca, através da montagem de uma praia à beira do poluído rio, conscientizar a população de sua importância e resgatar, por meio de atividades lúdicas, o convívio da população com suas margens.

Dia 10/08 – Mulheres na Rua por Coletivo Deixa Ela em Paz- de Mari Palumbo

Coletivo feminista situado em Recife-PE, faz intervenções urbanas, como colagem de lambe-lambe, para transformar a realidade cotidiana das mulheres e suas vivências nas cidades buscando o enfrentamento ao machismo e à discriminação de gênero.

Dia 17/08 – Batalha de MCS por Batalha do Terminal  – de Mari Palumbo

Na periferia de Recife, no bairro da Água Fria, acontece a Batalha do Terminal, uma batalha de MCs que promove o hip hop nas comunidades e contribui com a formação cultural dos jovens periféricos. Segunda maior batalha da cidade, pretende difundir a conquista do espaço público e resistência nas ruas através das rimas, entendendo o Hip Hop como agente de transformação.

Dia 24/08 – Humildade Sem Falsidade por Exorcity – de Caru Alves de Souza

Uma das turmas de pixadores mais antigas de São Paulo, o Exorcity é uma referência do pixo na capital. Através de uma atitude essencialmente transgressora colocam seu nome nos muros de uma cidade que os quer esquecer, lembrando a todos que a cidade é de que a ocupa.

Dia 31/08 – Corpos de Saia por Coletivo Bichx Soltx – de Caru Alves de Souza

Formado no extremo leste de São Paulo, no bairro do Itaim Paulista, usaram a letra “X” no lugar do “a” ou “o” para afirmar a diversidade, buscar a desconstrução de gênero e disseminação e desmistificação da cultura LGBT+ na periferia. A apresentação une performances que versam sobre a cultura LGBT+ e o Candomblé, religião da maioria dos integrantes do grupo.

07/09 – Vela na Billings por Navegando nas Artes – de Caru Alves de Souza

No Grajaú, as margens da Represa Billings, o coletivo promove a inclusão de jovens do bairro através de aulas de navegação nos barcos a vela, grafitadas por artistas locais. Através da prática esportiva e artística pretendem lançar um novo olhar para o reservatório, para a sua importância e para a necessidade de sua preservação.

Dia 14/09 – Sobre Linhas por Ser à linha_do – de Caru Alves de Souza

A necessidade de conexão entre as pessoas nos grandes centros urbanos é encarnada na performance da artista Tamara Faifman, que conecta as pessoas que passam na rus através de uma linha enquanto escreve e declama um poema em seus corpos.

Dia 21/09 – Xadrez sem Muros por Xemalami – de Caru Alves de Souza

O grupo de RAP Xemalami faz uma analogia entre os peões do xadrez e os habitantes de zonas periféricas de São Paulo afirmando que “os peões não podem recuar”. O projeto “Xadrez sem Muros” une grafite, hip hop e um xadrez gigante com o objetivo de instrumentalizar o jovem periférico a lutar contra as opressões do dia-a-dia através da palavra e do desenvolvimento do raciocínio lógico.