Festival de Cinema Judaico de São Paulo chega à 23ª edição

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Festival de Cinema Judaico
'De Volta ao Maracanã' é um dos destaques do 23º Festival de Cinema Judaico de São Paulo

Programação do Festival de Cinema Judaico 2019 traz 33 filmes de 11 países com a direção de nomes consagrados da indústria cinematográfica

De 03 a 14 de agosto, a Hebraica realiza o 23º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, trazendo 33 produções premiadas e já apresentadas em diversos festivais internacionais. O Clube Hebraica é responsável por idealizar e organizar o evento desde 1996. Hoje celebra seu reconhecimento no cenário cultural paulista. Da comunidade e público em geral à mídia especializada.

O programa deste ano inclui longas-metragens de ficção, documentários e curtas-metragens. As produções serão exibidas no Teatro Arthur Rubinstein, na Hebraica, no Sesc Bom Retiro, no Instituto Moreira Salles (IMS) e no Museu da Imagem e Som (MIS). As quatro salas terão ingressos a partir de R$ 4,00. Uma parceria com o Instituto Goethe traz ainda uma homenagem especial ao cinema alemão com a exibição de filmes dirigidos por Christian Petzold: ‘Fênix’ e ‘Em Trânsito’.

Abertura especial

A grande novidade deste ano será a pré-abertura do Festival, no dia 3 de agosto, sábado. O evento será voltado para o público jovem. Serão exibidos três importantes curtas-metragens:  ‘1.000 beijos’, ‘The Chop’ e o renomado ‘Skin’, vencedor do Oscar de melhor curta-metragem em 2019. Na sequência, o público poderá desfrutar um open bar de cerveja com aperitivos. O encontro acontece às 22h30, no Clube Hebraica, e tem como objetivo fomentar a discussão sobre a importância das salas de cinema em um período em que o streaming tem atraído cada vez mais a atenção das pessoas.

De acordo GabyMilevsky, Diretor Geral do Festival, essa edição apresenta uma seleção ainda mais robusta de filmes, que buscam cumprir o papel de reunir e apresentar vários aspectos universais e da cultura judaica para toda a sociedade. “O Festival, definitivamente, se tornou uma referência na agenda anual da cidade e dos apreciadores da sétima arte. Isso reitera a preocupação da A Hebraica como forte incentivadora à cultura e a arte, pois, principalmente durante o Festival, conseguimos trazer um grande intercâmbio de experiências cinematográficas de diferentes países, sempre atentos para a tolerância e o respeito entre as culturas”, afirma.

Programação – 23º Festival de Cinema Judaico

Premonição?

A abertura oficial do Festival acontece em 4 de agosto. Ocorrerá com a exibição do emocionante e dramático documentário ‘Quem Vai Escrever Nossa História?’. Já nos dias subsequentes, o público poderá conferir filmes como o recém-restaurado ‘Cidade sem Judeus’. O longa estreou em 1924 e esteve desaparecido por quase 90 anos, tendo uma cópia encontrada em um mercado de pulgas de Paris em 2015.

Festival de Cinema Judaico
A Cidade sem Judeus

A incrível história pode ser encarada como uma assustadora premonição do Holocausto, uma vez que a premissa é a expulsão de todos os judeus da cidade como solução de uma crise. Baseado no livro distópico de Hugo Bettauer e originalmente concebido como sátira política, tornou-se objeto de controvérsia e censura, especialmente em conjunto com a ascensão do nazismo.

Um olhar diferente

Outras histórias valem a pena ser conferidas  e trazem um olhar diferente para temáticas já conhecidas. Um exemplo é ‘A História de um Cão’, que retrata a bonita amizade de um menino e um cão durante a Segunda Guerra Mundial. Outro é ‘‘Tel Aviv on Fire‘, que traz como protagonista o palestino Salam. Sem perspectivas, ele vai trabalhar em uma telenovela popular entre israelenses e palestinos. Salam se esforça para tramar reviravoltas buscando atender aos espectadores de ambos os lados. O que não é nada fácil.

Os amantes da sétima arte ainda poderão conferir a última atuação do premiado ator suíço Bruno Ganz no filme ‘A Tabacaria’ (2018). Ganz, que faleceu em fevereiro de 2019, interpreta o psicanalista Sigmund Freud no filme baseado no best-seller internacional ‘The Tobacconist‘, escrito por Robert Seethaler. A produção conta a história de um jovem e sua amizade com Freud durante a ocupação de Viena pelos nazistas.

Festival de Cinema Judaico
A Tabacaria

Protagonismo feminino

Nesta edição do Festival, as mulheres seguem muito bem representadas em obras que destacam o seu papel de liderança em vários momentos da história. Dirigido por Scott Schwartz, o premiado ‘Golda em Cena’ relata a ascensão de Golda Meir. Aborda fatos como seu nascimento na Rússia, a migração com a família para os EUA e sua liderança política, sendo uma das fundadoras e quarta primeira-ministra do Estado de Israel. No filme, sua vida é transformada em um evento cinematográfico de poder esmagador e triunfo inspirador, graças também ao trabalho da atriz Tovah Feldshuh, que se reinventa no papel da líder política.

A programação traz ainda outros fortes personagens femininos. É o caso do documentário ’93 Queen’, no qual um grupo de mulheres ortodoxas desafia o status quo de sua comunidade patriarcal para criar o primeiro serviço de ambulância só de mulheres de Nova York.  No centro desse enredo está a advogada e mãe de seis, Rachel Freier, que quer criar um serviço voluntário alternativo para oferecer atendimento médico de emergência a mulheres hassídicas respeitando suas crenças religiosas. Em um cabo de guerra ideológico, os religiosos temem um cavalo de Troia de ideias feministas radicais.

Festival de Cinema Judaico
93 Queen

Universo Musical

Dentro do espectro musical, está a produção alemã ‘‘It Must Schwing!‘, com direção de Eric Friedler, que mostra a incrível história de dois imigrantes judeus ( Alfred Lion e Francis Wolff ). Em 1939, eles fundaram a lendária gravadora de jazz Blue Note Records em Nova York. A gravadora se dedicava exclusivamente à gravação da música jazz americana e desenvolveu seu próprio estilo. Foram sons e gravações inconfundíveis. A Blue Note Records descobriu e produziu uma impressionante lista de estrelas internacionais do jazz. Isso incluiu Miles Davis, Herbie Hancock, John Coltrane, Sonny Rollins, Wayne Shorter, Thelonious Monk e Quincy Jones. Numa época em que os músicos afro-americanos nos EUA eram discriminados e colocados no ostracismo, Blue Note os respeitava com os artistas e iguais.

Também se destaca o filme-concerto ‘Os Mortos Cantam Novamente’, com direção de Judit Elek. Vivendo na Transilvânia, o compositor, musicólogo e educador Mihály Miksa Eisikovits foi uma figura importante na vida cultural da Romênia. No final dos anos 1930, notou as melodias cantadas pelos judeus hassídicos e, sem qualquer auxílio técnico ou conhecimento de hebraico, iídiche ou aramaico, usou a transcrição fonética para gravar as letras. “The Dead Sing Again” traz à vida o mundo no qual Eisikovits foi uma das últimas testemunhas.

Outro destaque da categoria é ‘O Violinista’, de 2019,  que conta a  história da origem por trás de um dos musicais mais amados da Broadway e suas raízes criativas no início dos anos 1960 em Nova York, quando a “tradição” estava em declínio. Pela primeira vez, entrevistas com os criadores da peça revelam como o tremendo sucesso e impacto mundial do Fiddler e sua subsequente adaptação cinematográfica é mais apropriadamente vista através da lente da agitação social na América do meio do século XX.

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O Violonista

União Brasil-Israel

Filmes brasileiros também ganham um lugar especial no Festival. Um deles é o documentário ‘Alma Imoral’, que reflete sobre os conceitos de corpo e alma, tradição e transcendência, obediência e ruptura, através do livro “A Alma Imoral”, do rabino Nilton Bonder. O filme questiona o que acontece quando o “corpo moral” – normalmente apontado como instrumento importante para a preservação da espécie humana – se torna estreito e passa a ser um obstáculo ao futuro da humanidade. A direção é de Sylvio Tendler.

O futebol não poderia ficar de fora. Assim, é o fio condutor do tocante ‘De Volta ao Maracanã’, em que um avô, um pai e um filho viajam de Israel ao Brasil, terra natal do avô, para assistir à Copa do Mundo. A viagem, apesar de cheia de energia, é turbulenta. Surgem obstáculos que ameaçam destruir seus sonhos. Aos poucos, eles vão descobrindo a complexidade das relações familiares, o carinho necessário para cultivá-las e a facilidade para destruí-las.

De Volta ao Maracanã

Já o cinema israelense fica em evidência com grandes cineastas premiados. São Avi Nesher, de ‘Outra História’, e Ran Tal, de ‘O  Museu’. Não é possível deixar de fora dessa lista o marcante ‘Não Ortodoxo’. Trata-se do filme de abertura do Festival de Jerusalém deste ano, no qual um viúvo, sem dinheiro e sem conexões, é incitado a agir quando sua filha é expulsa de uma prestigiada escola religiosa por não ser ashkenazi, (judeus oriundos da Europa). Alimentados por força de vontade e sentimento de equidade, Yaakov e seus amigos formam um partido ortodoxo que represente o grupo dos Sefaradim (judeus oriundos da Península Ibérica). Um desafio ao establishment que mudou a cena política de Israel. Com base em eventos reais, o filme mostra os bastidores do ativismo e da política com suspense e muito humor.

SERVIÇO – 23º FESTIVAL DE CINEMA JUDAICO DE SÃO PAULO

Data: 03 a 14 de agosto de 2019
Programação: http://www.ahebraica.org.br/festival-de-cinema-judaico/

SALA HEBRAICA

Ingresso à venda (somente para as sessões deste teatro) na Central de Atendimento ou na Ticketfácil (www.ticketfacil.com.br)

Valores: R$ 32,00 (inteira) | R$ 16,00 (sócios e meia-entrada) COMBO de 5 exibições: R$ 100,00 (inteira) – R$ 50,00 (sócios e meia-entrada) PASSAPORTE: R$ 144,00 (para sócios) e R$ 288,00 (para convidados) *Ingressos para Abertura e Coquetel: R$ 40,00 (inteira) | R$ 20,00 (sócios e meia-entrada) ** Valor exclusivo para esta sessão: R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (sócios e meia-entrada)

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM

Endereço: Av. Europa, 158

Telefone: 2117-4777 

Ingressos: www.mis-sp.org.br 

Valores: R$ 10 (inteira) | R$ 5 (meia-entrada)

INSTITUTO MOREIRA SALLES

Endereço: Av.Paulista, 02424 – Bela Vista

Telefone:  11 2842-9120

Ingressos: www.ims.com.br  

Valores:  R$ 8 (inteira) | R$ 4 (meia-entrada)

SESC BOM RETIRO

Endereço: Al. Nothmann, 185 – Bom Retiro

Telefone: 11 3332 3600 |

Ingressos: www.sescsp.org.br

Valores: R$ 17,00 |R$ 8,50 meia | R$ 5,00 credencial Sesc