INTRIGA INTERNACIONAL

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Francisco Merino (E) e Luiz Carlos Lucena (D) em entrevista para a Zoom Magazine

Ambientada no Brasil e na Colômbia, série Procurando Lilliam terá ação, suspense e uma trama arrebatadora

*Por Eduardo Torelli

Atualmente em pré-produção, a série Procurando Lilliam é um projeto bastante promissor. Com uma proposta curiosa, que aposta em uma mescla de ação, drama e suspense psicológico, a atração reunirá os talentos do cineasta brasileiro (e colaborador da Zoom Magazine) Luiz Carlos Lucena, da Ativa Cinema Digital, e Francisco Merino, diretor e produtor colombiano. A dupla já elaborou o roteiro do episódio piloto e, agora, participa de eventos como o Encontro de Cinema do Mercosul (realizado em outubro, em Florianópolis) e o Festival Internacional de Cine de Cali (que acontece em novembro), com o intuito de apresentar o projeto a produtores, distribuidores e redes de TV.

        Com 43 episódios, a série será protagonizada pela heroína Lilliam, uma expert em jóias que tem um passado misterioso. Ao lado de Marco (um carismático chefe de cozinha), a personagem trabalha para uma companhia de seguros internacional. Em sua primeira temporada, a trama mostrará um roubo espetacular de diamantes que acontece no Rio de Janeiro. Este será o ponto de partida para uma sucessão de cenas emocionantes captadas em lugares como San Andres, Cartagena e outras cidades do Caribe colombiano. Nesta entrevista, Luiz Carlos Lucena e Francisco Merino revelam mais detalhes sobre o projeto.

COMO VOCÊS SE CONHECERAM? JÁ HAVIAM REALIZADO ALGUM PROJETO JUNTOS ANTES DE PROCURANDO LILLIAM?

Luiz Carlos Lucena: Foi uma coincidência muito feliz. Em julho, estive em Bogotá participando de um festival de cinema no qual também havia um encontro entre produtores e empresas interessadas em distribuir conteúdos. Fui com o apoio da Ancine, que acaba de cortar esse tipo de apoio – devo ter sido um dos últimos beneficiados! Na ocasião, apresentei minha trilogia sobre o Carnaval e acabei conhecendo o Francisco. Conversamos e ele me convidou a participar deste projeto, que tinha o Rio de Janeiro como cenário. Porém, inicialmente, a ideia era produzir um documentário. De agosto para cá, à medida que o projeto evoluía, a produção deixou de ser um documentário e se tornou uma série de TV. A primeira temporada terá oito capítulos. Lilliam, nossa protagonista, será uma mulher muito bonita e sensual, mas nada vulgar. Contaremos uma história de investigação, mas sem recorrer à ação vertiginosa. Nossa ideia é que Bianca Bin interprete Lilliam, pois queremos uma atriz bonita e talentosa no papel da personagem. Também gostaríamos de ter Wagner Moura no papel de Marco, que é o segundo personagem mais importante da série.  

LUCENA, VOCÊ É UM REALIZADOR COM AMPLA EXPERIÊNCIA EM DOCUMENTÁRIOS. COMO ENCARA O DESAFIO DE SE ENVOLVER COM UM PROJETO DE FICÇÃO?

L.C.L: Com muito entusiasmo! Essa coisa de lidar com a ficção será um desafio. Estudo cinema e escrevi livros sobre o assunto – a Sétima Arte é minha paixão. Portanto, partir do documentário para a ficção era uma tendência natural. Só que o processo, agora, se acelerou! Talvez eu dirija um episódio da série, mas quero participar efetivamente da direção de fotografia. Será interessante criar uma linguagem dinâmica para uma história de ação que não terá tiroteios, batidas de carros e outros clichês do gênero. O desafio será dar movimento à narrativa e manter o espectador envolvido com a trama.

VALE SALIENTAR, TAMBÉM, QUE A FICÇÃO AUDIOVISUAL TEM INFLUENCIADO O DOCUMENTÁRIO, E VIVE-VERSA…

L.C.L: Sim. Eu mesmo escrevi um artigo na Zoom Magazine sobre esse assunto. As linguagens têm se mesclando – a ficção, em especial, tem bebido muita inspiração na linguagem do documentário.

HÁ UMA PREVISÃO PARA O INÍCIO DAS FILMAGENS?

Francisco Merino: A ideia é começarmos a produção em março do ano que vem e, até 2021, já termos uma emissora para distribuir. No momento, estamos focados nos aspectos de produção. Mas, em breve, começaremos a discutir as questões de distribuição.

TALVEZ AINDA SEJA CEDO PARA RESPONDER A ESTA PERGUNTA, MAS VOCÊS TÊM UMA IDEIA DE QUAL SERÁ O “LOOK” DA PRODUÇÃO? QUE TIPO DE FOTOGRAFIA TERÁ PROCURANDO LILLIAM?

L.C.L: Minha ideia inicial, já que teremos ambientes externos muito bonitos – Caribe, Rio de Janeiro etc. –, é fazer uma fotografia bastante natural, para preservar a beleza desses cenários. Quero trabalhar muito com cortes, close-ups e planos abertos. A iluminação também terá um papel fundamental na estética da série. Queremos criar uma linguagem dinâmica, mas sem um uso excessivo de efeitos. Apesar de ser uma série de TV, usaremos uma linguagem de cinema.  Eu e Francisco concordamos totalmente neste ponto.

F.M.: a série será um misto de romance e thriller psicológico, já que os personagens não são totalmente “bons” ou “maus”. Eles serão vistos com suas misérias, paixões e alegrias.

L.C.L: Queremos que nossa protagonista seja factível e que o público se identifique com ela. Por isso é difícil escolher uma atriz para interpretá-la. Como afirmei antes, gostaríamos que ela fosse vivida por Bianca Bin. Vamos ver como as coisas se desenrolam.

E quanto à logística de produção? Vocês vão filmar simultaneamente em várias cidades? Ou pretendem elaborar uma programação que lhes permita realizar a série em etapas?

L.C.L.: Primeiramente, filmaremos no Rio de Janeiro. Depois, faremos as cenas no exterior. As equipes técnicas do Brasil e do exterior precisarão trabalhar em sincronia, a partir da mesma linguagem. É necessária uma logística de produção, ou não conseguiremos viabilizar o projeto. Esta é uma série que, apesar de parecer simples, envolve uma equipe de produção muito grande. O diretor Ramiro Melendez irá realizar o piloto, pois tem a linguagem do cinema em toda a sua biografia. Mesclaremos um pouco da montagem clássica eisensteiniana com a montagem das séries de TV atuais. Ramiro nos dará essa linguagem, para que, depois, possamos segui-la.

ALGUMA IDEIA DE QUE TIPOS DE CÂMERA E OUTRAS TRAQUITANAS SERÃO USADAS NA CAPTAÇÃO DAS CENAS?

L.C.L.: Tenho pensado muito nisso. Usaremos drones, pois queremos explorar bem os cenários que temos – o hotel onde acontece boa parte da ação, por exemplo, é muito interessante como cenário. Ao invés de câmeras pesadas, usaremos câmeras digitais leves. Talvez utilizemos uma Arriflex ou uma Blackmagic para as cenas de ação, mas não dá para trabalhar apenas com câmeras pesadas e fixas. Precisamos de câmeras que nos permitam mais movimento. Tudo isso será definido de forma muito criteriosa antes das filmagens.

*Esta e outras reportagens você encontra na edição 217 da Zoom Magazine