‘LUNA’, uma importante reflexão sobre cyberbullying

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Luna - filme sobre cyberbullying
Luana e Emília, personagens do filme Luna

Longa-metragem ‘Luna’, dirigido por Cris Azzi e vencedor do prêmio de Menção Honrosa no Festival do Rio, estreia nesta quinta-feira, 10 de outubro, abordando o relevante tema do cyberbullying

LUNA, dirigido por Cris Azzi, estreia nesta quinta-feira, dia 10 de outubro, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Porto Alegre e Curitiba. Depois de ser exibido nas mostras competitivas do 51o Festival de Cinema de Brasília e no Festival do Rio 2018, no qual levou Menção Honrosa pela interpretação da atriz Eduarda Fernandes, o filme chega ao circuito comercial distribuído pela Cineart Filmes.

O longa conta a história do encontro de Luana (Eduarda Fernandes) e Emília (Ana Clara Ligeiro) e os desdobramentos e consequências dessa nova amizade. “Em 2014 me vi chorando diante de uma matéria jornalística que narrava a morte de uma jovem brasileira de 17 anos que tirou sua própria vida após ter um vídeo de sexo viralizado nas redes sociais. Ainda me pergunto em qual lugar íntimo essa história me moveu a ponto de fazer um filme com essa inquietude como ponto de partida”, conta o diretor. 

Luna - filme sobre cyberbullying
Luana e a mãe em cena do filme ‘Luna’ / FOTO: Bruno Magalhães

Cyberbullying no Brasil

Uma pesquisa divulgada em 2018 pelo Instituto de Pesquisa (Ipsos) aponta que o Brasil é o segundo país com mais casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes. De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), um em cada dez estudantes no Brasil é vítima frequente de bullying. Na faixa dos 15 anos, o relatório mostra que 17,5% dos alunos brasileiros sofrem algum tipo de bullying, físico ou virtual, mais de uma vez ao mês. 

O tema é sério e precisa ser abordado. Em entrevista coletiva, realizada em 29 de agosto, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o foco das ações desenvolvidas durante o Setembro Amarelo, mês da conscientização da prevenção de suicídio, seria o público jovem, junto ao qual vem aumentado o número de casos e de tentativas de suicídio. 

A sexualidade feminina e o cyberbullying

LUNA aborda de maneira transversal o cyberbullying e temas como a descoberta da sexualidade feminina associada à autoexposição favorecida pelas novas mídias, a busca por novas experiências, por pertencimento e autoafirmação. “Coloca à prova aspectos como liberdade e preconceito, liberdade e abuso, liberdade e julgamento moral. Mas a meu ver, para além dessa camada, o filme se orienta na potência do encontro com o outro, no amor e nas suas contradições”, explica Azzi. 

Para realizar sua primeira ficção, o diretor praticou o exercício da escuta: “me vi diante de um universo de meninas brasileiras  com muitas histórias de decepções com o universo masculino. Abusos, assédio, estupro, abandono. Hoje, ao olhar para o percurso do filme, entendo que esses fatos recorrentes nas conversas foram borrando o roteiro naturalmente”. 

“Durante os quatro anos de realização, as reivindicações femininas ganharam luz no Brasil e indicam um caminho espinhoso, mas sem volta, na direção da igualdade de direitos em relação aos homens. Nesse sentido, quando ainda me vejo tentando entender por qual motivo a história lida no jornal me tocou tanto, começo a perceber que falar desse universo é também uma busca pessoal por aprendizado e ressignificação nas minhas relações humanas. Ainda estou em busca de respostas”, finaliza. 

Luna – o filme

Trailler

SINOPSE

Luana e Emília se conhecem e logo desenvolvem uma intensa amizade. Vivendo as expectativas e emoções da transição à vida adulta, elas mergulham numa jornada de experimentação e autoconhecimento. Mas esse é um caminho cheio de surpresas e qualquer exposição indesejada pode trazer sérias consequências.

FICHA TÉCNICA 

Direção e Roteiro: Cris Azzi 
Produção:  Delícia Filmes E Urucu 
Produzido Por: Cris Azzi, Elias Ribeiro, Cait Pansegrouw 
Elenco: Eduarda Fernandes, Ana Clara Ligeiro, Lira Ribas, Hewrison Ken, Matheus Soriedem, Manu Maria, Guto Borges 
Direção De Fotografia: Luís Abramo 
Direção de Arte: Maíra Mesquita  
Produção Executiva: Júlia Nogueira 
Montagem: Matthew Swanepoel 
Figurino: Caroleta Maurício 
Consultora de Figurino: Flora Rebollo 
Maquiagem: Gabriela Dominguez 
Visagismo: Amanda Mirage 
Direção de Produção: Marcela Recchioni 
Assistente de Direção: Wally Araujo 
Som Direto: Osvaldo Ferreira  
Design De Som e Mixagem: Edson Secco 
Produtor Musical: Guto Borges 
Trilha Sonora Original: Barulhista, Guto Borges, Léo Marques 
Produção de Elenco: Fábio Guimarães 
Assessoria de Roteiro: Joana Oliveira  
Script Doctor: Laura Barile 
Consultor de Dramaturgia: Odilon Esteves 
Duração: 89 Minutos 
Gênero: Drama 
Ano: 2018 

SOBRE O DIRETOR 

Cris Azzi é um diretor, produtor e roteirista brasileiro. Tem 40 anos, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde reside atualmente.  

É graduado em Comunicação Social pela Faculdade de Comunicação e Artes da PUC-MG. Trabalhou por mais de uma década como Assistente de Direção contribuindo para a realização de mais de 20 filmes de longa metragem e séries de TV. Karim Ainouz, Anna Muylaert e Paul Leduc são alguns dos diretores que Cris trabalhou. 

Como diretor estreou em 2007 com o documentário “Sumidouro”, exibido na Mostra Competitiva do Festival “É Tudo Verdade”. Seu segundo documentário, “O Dia do Galo”, co-direção com Luiz Felipe Fernandes, foi o vencedor do júri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2015. Foi exibido durante 6 semanas nas salas de cinema em Minas Gerais alcançando mais de 30 mil espectadores. 

Na ficção, seu primeiro trabalho em longa metragem foi o filme de episódios 5 Frações de Uma Quase história, dirigindo “Qualquer vôo”. Lançado em 2007, o filme foi exibido no Festival do Rio, Na Mostra Internacional de SP, na Mostra de Cinema de Tiradentes, no Chicago Latino Film Festival no Cine PE ( prêmio especial do júri e melhor direção de arte) e no Brazilian Film Festival (prêmio especial do júri e melhor roteiro). Nos cinemas, “Luna” será o primeiro filme de ficção solo de Cris Azzi. 

SOBRE A CINEART FILMES 

A Cineart Filmes é uma distribuidora 100% brasileira e independente que tem, como principal objetivo, compartilhar conteúdos audiovisuais de alta qualidade. Trabalhando tanto com obras nacionais quanto internacionais, independentemente do gênero, o nosso compromisso é sempre o de oferecer cultura e entretenimento de qualidade ao maior número de pessoas possível. Para isso, além de valorizar o cinema nacional e abrir espaço para as produções regionais, a Cineart Filmes participa dos maiores festivais e feiras de cinema do mundo, como Cannes, Toronto, Berlim e AFM. 

Nossa intenção é de alcançar cada vez mais o mercado exibidor e as redes de distribuição, sempre buscando conteúdos diversificados e de qualidade dentro e fora do Brasil. Assim, com ética nas relações e compromisso com os parceiros, vamos ampliando as nossas fronteiras, fortalecendo a indústria audiovisual no Brasil e no mundo, levando mais longe a magia do cinema. 

Preocupada em trabalhar sempre com conteúdos de alta qualidade, a Cineart busca um relacionamento próximo com os seus parceiros produtores desde as etapas iniciais dos projetos, acreditando que esse envolvimento contribui para o sucesso comercial do projeto, através da elaboração de planejamentos específicos e cuidadosamente pensados para cada trabalho, procurando traçar o perfil e o tamanho ideal de cada lançamento. 

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