APRENDA A FOTOGRAFAR O CÉU NOTURNO!

Para captar com maestria a beleza de um céu estrelado, são necessários um equipamento adequado e noções essenciais para a obtenção de uma boa imagem

Texto: Ricardo Bruini
Imagens: Divulgação

Um dos cenários naturais que implicam em mais dificuldades para a obtenção de boas fotografias é o céu noturno. É comum o fotógrafo não conseguir reproduzir, em suas imagens, a beleza que está logo acima de sua cabeça. Obter belas fotos de um céu estrelado, da lua ou de um belo skyline de montanhas emolduradas por um firmamento estrelado requer a compreensão de conceitos fundamentais da captação de imagens. E, sem um equipamento adequado, é praticamente impossível obter bons resultados. Nesses casos, um mero celular não é capaz de dar conta do recado.

Local

Antes de tudo, vale lembrar que só se consegue observar um céu perfeitamente estrelado em locais com atmosfera livre de impurezas. As condições mais adequadas para a observação dos astros durante a noite se dá em lugares distantes dos grandes centros urbanos. Quanto menos poluentes no ar, mais límpido será o céu que se observa. E quanto mais longe dos centros urbanos, menor será a interferência de fontes artificiais de luz.

A altitude também influencia. Quanto mais alto for o lugar, menor será a “grossura” da atmosfera e menos obstáculos a luz encontrará pelo caminho. Portanto, montanhas são mais propícias a boas observações do que localidades à beira-mar. Outro fator que influencia diretamente na observação noturna são as condições atmosféricas. Noites sem nuvens, secas e frias oferecem melhor visibilidade do que outras nubladas, úmidas ou quentes.

O motivo da ausência de nuvens ser melhor é óbvio, pois estas, mesmo que pouco densas, bloqueiam o brilho dos astros. Já noites úmidas têm grande quantidade de partículas de água em suspensão, as quais acabam por fracionar os raios luminosos, gerando halos coloridos. Noites quentes tendem a gerar tremulação nos raios luminosos, o que faz as estrelas cintilarem em excesso e perderem os contornos definidos.

Noites com lua nova são melhores que as com lua cheia, pois o brilho da lua dificulta a observação ao deixar o preto do céu menos evidente e ofuscar o brilho dos astros de menor magnitude.

Por que é tão difícil?

É preciso ter em mente que estamos trabalhando com uma situação de luz que está além do limite do equipamento (quando em condições normais de uso). O brilho das estrelas é muito tênue e, se a câmera não estiver devidamente ajustada, será impossível registrá-lo. Os minuciosos detalhes de constelações e minúsculas estrelas são muito sensíveis a qualquer erro de foco ou trepidação da câmera. Como são necessárias longas exposições para compensar o baixo nível luminoso dos astros, a mínima vibração na câmera causa borrões que dificultam o perfeito registro dos detalhes. Sem contar que os astros permanecem em movimento (o qual, apesar de muito lento, é constante).

Estabilidade

Mesmo com câmeras extremamente sensíveis, é impossível registrar o tênue brilho dos astros sem apelar para longas exposições. Para tal, o uso de um tripé é imprescindível. O tripé deve ser posicionado de maneira a ficar perfeitamente estável, sem qualquer vestígio de trepidação ou vibração. Também deve-se observar a influência de ventos (que podem ocasionar vibrações) e de trânsito de veículos ou de pessoas (que gerem eventuais vibrações no solo). O tripé deve oferecer ajustes que permitam, caso necessário, apontar a câmera totalmente para cima, a 90 graus (muitos tripés possuem limitações na angulação de tilt). Escolha uma câmera que ofereça disparo remoto ou que possibilite a disparo com temporizador. Dessa forma, a imagem não sofrerá com oscilações no momento do disparo do obturador.

Exposição prolongada

Para a correta exposição da imagem, é necessário que o obturador permaneça aberto por um longo período, que pode ser de algumas dezenas de segundos, ou mesmo, de várias horas, dependendo do resultado que você espera.

Escolha objetivas claras, que permitam aberturas em torno de f2.0 ou f1.8, pois, assim, o fotógrafo terá mais opções para escolha do tempo de exposição e de ajuste de ISO. Apesar da tentação de utilizar ajustes de ISO extremos, evite valores acima de 800, pois a granulação oriunda da sensibilidade aumentada acaba concorrendo com os minúsculos pontos de brilho das estrelas.

Prefira objetivas grande-angulares, pois tanto eventuais vibrações quanto o deslocamento natural dos astros são minimizados com esse tipo de enquadramento aberto. Não se esqueça que o foco para o céu está na posição infinita. Cuidado com objetivas menos precisas, nas quais a posição de “infinito” do foco não corresponde exatamente ao fim do cursor. Faça um teste durante a luz do dia e marque no corpo da objetiva (com uma fita adesiva e uma caneta) o ponto que realmente corresponde à posição infinito. Deixe o ajuste de white balance na posição de 5600 Kelvin, para que as cores dos astros sejam registradas com a tonalidade correta.

Para o ajuste de tempo de abertura do obturador, faça alguns cálculos baseados nas escolhas anteriores de abertura máxima de íris e ISO moderado. A partir daí, o fotógrafo perceberá que tem à sua disposição uma ampla gama de tempos de exposição. Normalmente, para objetivas claras e ISO máximo de 800, um tempo de 20 segundos já oferece bons resultados. Acima disso, já se registra o deslocamento dos astros no firmamento, o que acaba por causar rastros. Caso a intenção seja, exatamente, a de registrar tais rastros de deslocamento, pode-se deixar o obturador aberto por alguns minutos. Quanto mais tempo aberto, maior será o rastro obtido.

Não é possível conseguir, em uma mesma fotografia, a imagem da lua em conjunto com os astros de menor brilho. O máximo que se obtém é a lua com algumas estrelas mais brilhantes. Isto se dá pelo fato de a exposição necessária para se obter uma lua adequada ser bem menor que o necessário para se registrar, por exemplo, a Via Láctea. Vale lembrar que, mesmo que se consiga uma exposição razoável das estrelas, o simples fato de existir o brilho da Lua no céu ofusca os astros de menor brilho.

Para conseguir melhores resultados, é importante saber a posição dos astros de acordo com a data e o horário. Para facilitar a tarefa, há aplicados para i-Phone (e também, para outros smartphones) que permitem saber com precisão o posicionamento das constelações e seu deslocamento de acordo com a data e o horário. Fotos da Via Láctea costumam ser especialmente belas devido à complexidade das formas observadas.

Agora que você sabe como conseguir bons resultados em fotografias noturnas, já pode testar variações e imprimir o seu estilo estético à imagem. Mãos à câmera!

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