FILMAGENS EXTERNAS – LÁ VEM A CHUVA?

Por mais planejamento que se faça para um projeto, certos fatores fogem ao controle do diretor de fotografia. Um deles é o clima!

Quando se trabalha dentro de um estúdio, as condições atmosféricas não interferem na execução dos trabalhos, sejam dos atores, sejam da equipe técnica. No entanto, quando as filmagens ocorrem em ambiente aberto, ao ar livre, por mais recursos que se tenha (e por mais que se planeje), sempre há o risco de uma mudança abrupta no tempo. Mudança, esta, que traz consequências para toda a equipe. Mas vamos nos ater aos problemas enfrentados pelo diretor de fotografia e sua equipe de câmera.

O que o jornal diz?

No passado, as previsões meteorológicas não inspiravam muita confiança e o acesso a elas era obtido por meio de jornais impressos ou via telejornais ou programas de rádio. E mesmo assim, quase sempre, tais informações eram bastante genéricas e englobavam regiões muito amplas.

Quem quisesse saber a previsão do tempo para, por exemplo, uma pequena cidade no interior, deveria tomar como base as informações previstas para alguma grande cidade nas proximidades (o que, evidentemente, levava a erros de leitura e incertezas). Ou seja: o produtor e o diretor de fotografia precisavam ter acesso prévio a alguma dessas mídias para saber se, no dia seguinte, o tempo estaria adequado para a execução do trabalho. E ainda assim, não tinham muita precisão nos dados obtidos.

Na ponta dos dedos

Atualmente (embora as previsões ainda não sejam tão confiáveis), podemos dizer que, além de ter havido uma significativa melhora na precisão dos dados, também houve uma grande melhoria das informações para áreas pequenas e cidades longe dos grandes centros urbanos. Com isso, podemos saber as condições atmosféricas de uma determinada área específica, sem confusão com as informações de outras localidades próximas.

Imagens de satélite, dados sobre pressão atmosférica, temperatura, sensação térmica, ponto de orvalho, altitude, horários de nascer e pôr-do-sol, visibilidade, intensidade e direção dos ventos e demais detalhes técnicos que podem fazer a diferença em uma boa fotografia passaram a estar disponíveis ao usuário comum, e não somente aos meteorologistas. Fora isso, com um celular com acesso à Internet, qualquer pessoa consegue informações atualizadas e em tempo real das condições do momento e previsão para as próximas horas (ou para os próximos dias).

Alguns aplicativos para smartphones oferecem, inclusive, uma projeção virtual da localização dos astros no céu e seu deslocamento ao longo do dia. Com isso, o diretor de fotografia pode, facilmente, saber se o sol (ou a lua) aparecerá atrás deste ou daquele prédio. Ou ainda, em que lugar exato do horizonte ele irá se esconder, além de ter noção exata do tempo de luz disponível e a direção e ângulo dos raios solares em diferentes horários. Até mesmo a sombra projetada por um prédio, montanha ou árvore pode ser prevista com relativa precisão.

De posse de informações precisas, o diretor de fotografia pode planejar cada dia de trabalho, fazendo estimativas de horas de luz disponíveis e de quanto tempo a equipe irá dispor para trabalhar, antes que uma eventual chuva chegue (ou antes que as nuvens encubram a luz solar); ou ainda, saber a que horas um dia chuvoso irá melhorar. Tudo isso está, hoje, nas pontas de nossos dedos, na tela de qualquer dispositivo eletrônico pessoal.

E se ela chegar?

Mesmo com toda a tecnologia à disposição, a Natureza sempre “apronta” das suas e nunca podemos descartar que a meteorologia erre (ou que uma nuvem carregada se forme nas proximidades). Para esses momentos, o jeito é estar prevenido e se proteger da chuva.

Equipamentos eletrônicos são especialmente sensíveis à umidade. Portanto, devemos evitar, a todo o custo, que a água entre em contato com câmeras, baterias, microfones, monitores, cartões de memória, cabos ou quaisquer outros equipamentos do tipo. Objetivas são outros dispositivos extremamente sensíveis à umidade e que precisam ser protegidos.

Ao sinal das primeiras gotas, é aconselhável que os equipamentos sejam cobertos por capas de chuva de boa qualidade. Evite gambiarras, envolver equipamentos em “pedaços de plástico” ou outras alternativas baratas. Uma boa capa de chuva, além de proteger os equipamentos até de chuvas moderadas, permite fáceis acessos para uma adequada operação, fechos, elásticos e velcros para uma firme fixação, forros com tecidos que permitem ventilação e não danificam nem riscam a superfície dos equipamentos, além de serem confeccionadas com tecidos que não rasgam ou esgarçam com facilidade.

É comum vermos a prática nada aconselhável de se embrulhar a câmera com filme plástico (daqueles utilizados para embrulhar alimentos). Isto só deve ser feito em casos de emergência, quando nenhum outro recurso estiver disponível! Embrulhar um equipamento com filme plástico pode até protegê-lo da chuva, mas impede que a umidade contida no ar do interior do dispositivo se disperse. Além de, também, inviabilizar que o calor gerado por seu funcionamento se dissipe satisfatoriamente. Ou seja: ao invés de proteger o equipamento, o usuário acabará criando condensação e o depósito de gotículas que certamente impedirão o bom funcionamento, podendo gerar até danos permanentes.

Nunca é demais lembrar que se deve ter à mão, sempre, um ou mais pedaços de tecidos próprios para limpeza de objetivas, pois qualquer gota na frente da lente comprometerá a fotografia realizada.

Mesmo utilizando capas de chuva adequadas, a alta umidade do ar e as mudanças bruscas de temperatura podem ocasionar condensação na câmera e, principalmente, na objetiva, o que tornará a imagem embaçada. Embora seja difícil evitar por completo tal fenômeno, é possível minimizar seus efeitos. Para isso, pode-se utilizar sachês de sílica gel dispostos em locais estratégicos dentro da capa de chuva.

Caso não existam tais compartimentos específicos, pode-se fixar os sachês de sílica com fitas adesivas do tipo microporo (que permite a passagem do ar), facilmente encontradas em qualquer farmácia. Outro procedimento que ajuda a minimizar os efeitos da condensação é evitar que a câmera mude muito rapidamente de ambientes com temperaturas muito diferentes. Ir adaptando o equipamento gradualmente às condições do ambiente ajuda a evitar que a umidade contida no ar se condense.

Enfim: não podemos evitar a chuva, mas podemos minimizar os prejuízos por ela causados.

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