FIRME E FORTE – FILTRO POLARIZADOR!

Apesar de toda a evolução digital, o filtro polarizador se mantém uma solução eficaz no processo de captação

Texto: Ricardo Bruini
Imagens: Divulgação

Com o advento das tecnologias digitais, antigos artifícios utilizados na captação analógica passaram a cair em desuso, seja pela complexidade em seu manuseio, seja pela substituição por simulacros digitais. Ou mesmo, pela simples perda do costume de utilizá-los. Um bom exemplo são os filtros fotográficos, outrora indispensáveis ao trabalho de qualquer profissional da fotografia e que, hoje, foram quase totalmente suprimidos ou substituídos por filtros digitais na pós-produção do material captado.

Entretanto, mesmos os mais avançados recursos de tratamento de imagens não foram capazes de oferecer ao usuário resultados tão bons e eficazes quanto os obtidos com o velho filtro polarizador. E, se você pensa que o tratamento da imagem em programas como o Photoshop pode simular os resultados obtidos com um filtro polarizador físico, a resposta é um taxativo: “não”! Isto porque o reflexo oculta partes e detalhes da imagem e, simplesmente, não há como manipular uma informação que o sensor não registrou.

Como funciona?

O filtro polarizador mais comum utilizado nas DSRL e demais câmeras digitais é o Filtro Polarizador Circular (Circular Polarizer Lens Filter). Ele é composto por dois anéis: um interno e outro externo. O anel interno é fixado à objetiva da câmera por meio de uma rosca, que o prende firmemente e o impede de girar. Já o anel externo desliza sobre o interno, permitindo que o usuário o gire e escolha o ângulo que ofereça melhor resultado para cada cena. Para cada ângulo que o usuário escolher, será obtido um resultado diferente.

Dependendo de onde estiver a fonte luminosa e das condições do ar no ambiente, quando a luz é refletida por um objeto, é comum que os raios luminosos se espalhem em ângulos diferentes, o que causa a perda da tonalidade original, que fica oculta por uma camada de reflexo e raios difusos desordenados.

Sendo assim, ao se girar o anel externo do filtro polarizador, o usuário filtra os reflexos que não estiverem alinhados com o ângulo escolhido (somente os raios ordenados e refletidos no ângulo exato conseguem passar pelo filtro). É possível, então, amenizar e até eliminar reflexos em superfícies não metálicas (como no vidro ou na água, por exemplo), névoas e áreas com excesso de luz desordenada (que causam aquele estranho “embranquecimento” da imagem).

O filtro polarizador, entretanto, possui limitações. Para que seu efeito seja decisivo, a fonte luminosa deve estar em um ângulo que pode variar de 45 a 90 graus do objeto iluminado. Em determinados ângulos de iluminação não é possível perceber o efeito da polarização. Outro empecilho com relação à utilização do filtro é que, embora sua função não seja a de escurecer a imagem, é inegável que a exposição acabe sofrendo quando utilizamos um filtro polarizador preso em frente à objetiva. Normalmente (e dependendo da qualidade do fabricante), pode-se notar a perda de dois ou até mesmo três f-stop na exposição da imagem, o que pode ser um problema quando o nível de luz do ambiente for reduzido.

Os filtros polarizadores são fabricados de acordo com os diâmetros mais comuns de objetivas e, nesses casos, o encaixe costuma ser perfeito. Caso a lente tenha diâmetro fora dos padrões, será necessário fazer uso de anéis adaptadores. Prefira utilizar um filtro maior que o diâmetro da lente e, com um adaptador (do tipo step-up), prenda-o à objetiva. Evite utiliza filtros com diâmetro menor que o da objetiva, pois poderá ocorrer o indesejável efeito de “vinhetagem” (quando as bordas do filtro “vazam” no enquadramento da câmera).

Há até dispositivos que permitem o uso de filtros polarizados em i-Phones. E filtros em formato de lâminas, conhecidos como “formato Cokin”. Seu adaptador em forma de caixa (também conhecido como mattebox) possui gavetas que permitem prender o filtro e rotacioná-lo no ângulo desejado. Este tipo de suporte pode até permitir o uso de dois ou três filtros simultaneamente.

Utilizações

Como já disse, a função mais conhecida do filtro polarizador é eliminar ou atenuar reflexos em superfícies não metálicas. Com ele, aquele reflexo no parabrisas do carro, ou nas águas do oceano, pode ser praticamente eliminado. Um belo lago com carpas ganha vida e permite a perfeita visualização dos animais abaixo da superfície da água.

Outra vantagem do filtro polarizador é captar cores mais vivas. É possível filtrar os raios de luz desordenados e registrar a tonalidade real das cores da cena. Com a angulação correta, podemos filtrar os raios de luz de direções indesejadas sem prejudicar a iluminação e a exposição da cena. Fotógrafos de paisagem utilizam este filtro com muita frequência, uma vez que as cores do céu ficam muito mais vibrantes, com mais contraste e profundidade. Se os ângulos da luz e do filtro estiverem corretos, é possível obter um céu bem mais denso e escuro que o observado a olho-nu.

Até mesmo determinados tons de pele sofrem uma ligeira influência do uso do filtro. Caso o usuário não tenha em mãos um filtro ND fader (bastante utilizado para auxiliar na exposição da imagem sem ter que alterar os parâmetros da câmera ou da objetiva), é possível criar um efeito semelhante ao se sobrepor dois filtros polarizadores. Na era da tecnologia digital de ponta, o bom e velho filtro polarizador físico ainda é um aliado sem substitutos à altura.

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