FOTOGRAFIA: FUJA DO ÓBVIO!

Em qualquer destino pelo mundo afora, uma regra essencial para se conseguir boas imagens é: evite o lugar-comum!

Texto: Fernando Vitolo
Imagens: Fernando Vitolo

A primeira vez que fui convidado para ir a Israel com o professor Luiz Sayão, para as gravações de Rota 66, fiquei um pouco apreensivo… Imagine ir a um país tão perigoso quanto Israel. Ao chegar, meus medos se foram e comecei a entender a situação das coisas por lá. Desde então, estive em Israel três vezes e posso afirmar que me sinto mais seguro lá do que no Brasil. Israel registra um homicídio a cada quatro dias, enquanto, no Brasil, a estimativa é que ocorram 150 homicídios diariamente.

À medida que a aventura se desenrolava, mais eu sentia que meus pré-conceitos iam embora. Como pode um lugar tão explorado negativamente pela mídia ser tão diferente, bonito e tranquilo? Sem mencionar a riqueza histórica e arqueológica. Israel possui mais de 30 mil sítios arqueológicos e a cada momento outros são descobertos. A cidade mais antiga do mundo, Jericó, se localiza naquele país. Em Megido, por exemplo, há ruínas de mais de vinte cidades, de 4.000 A.C. a 400 A.C.. A riqueza arquitetônica pode ser vista em templos da era bizantina, com seus mosaicos impecáveis, passando por construções influenciadas pelo Bauhaus, até suas edificações modernas, como o Museu do Holocausto e o Museu de Israel. Há muita história a se registrar, seja em foto ou em vídeo.

Natureza viva

“E se eu quiser registrar a natureza”, você pode perguntar. “Israel não deve ser o local mais recomendado!”.

Ledo engano! Pelo que vemos na mídia, imaginamos Israel como um país seco, sem natureza, completamente desértico… mas isso não procede. Israel fica no Sudoeste da Ásia, entre o Mediterrâneo e os desertos da Síria e da Arábia Saudita. As fronteiras geográficas do país são conformadas a oeste pelo Mediterâneo, a leste pelo Vale do Jordão e ao norte pelas montanhas do Líbano. A Baía de Eilat marca o seu extremo sul.

Embora seja pequeno em território, sua paisagem e clima são muito variados. Temos neve, deserto, o Mar Morto, montanhas, vales, muita vegetação e fontes de água lindíssimas em apenas 20.700km². Para se ter uma ideia, o ponto mais baixo do país está a -417m do nível do mar, que é o Mar Morto (também considerado o ponto mais baixo da Terra), enquanto o ponto mais alto, o Monte Hermom, fica 2.224m acima do nível do mar.

O interessante de Israel é que você pode encontrar diferentes paisagens e climas sem se deslocar muito. E a natureza é bem preservada por meio de belíssimos parques nacionais, que são considerados patrimônios mundiais pela Unesco.

Cores únicas

Quando comecei a fotografar e a gravar, busquei imagens diferenciadas. Afinal, quando se pensa em Israel, ou mesmo quando buscamos conteúdos relacionados na Internet, o que obtemos são materiais que enfatizam a dor, a perda, a guerra e o caos, o que não condiz com toda a realidade do país. O foco de um profissional deve ser tentar, ao máximo, encontrar um novo caminho, uma nova visão em meio ao ordinário e ao “já conhecido”.

Foi incrível seguir esta máxima e descobrir que um país tão pequeno pode ser tão rico em cores e ter paisagens cinematográficas… Fica a dica para todos os profissionais: saiam do “básico”, explorem tudo o que o local tem a te oferecer. Independentemente de onde estiverem, sempre há um olhar diferente, algo “não-óbvio” a ser registrado. E procurem fotografar ou gravar em horários pouco usuais, como o nascer ou o pôr-do-sol. As imagens e cores obtidas poderão ser únicas!

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