“SURF ADVENTURES 2” EM DETALHES

Dirigido por Roberto Moura, ‘Surf Adventures II – A Busca Continua’ dá sequência a um dos mais bem-sucedidos documentários do cinema nacional

Por Eduardo Torelli

 

Há duas maneiras de assistir a Surf Adventures II – A Busca Continua (sequência de um documentário de grande sucesso, lançado em 2002, que atraiu 250 mil espectadores aos cinemas): como admirador do esporte em questão ou como um realizador de obras audiovisuais de impacto.

 

Não resta dúvida de que os “astros” desta superprodução, a exemplo do filme anterior, são os “craques” que desafiam as ondas, superando recordes e limites previamente conquistados. Mas, para um realizador, o projeto também é uma aula de narrativa e apuro visual: o diretor Roberto Moura foi buscar, no exterior e nas praias do eixo Rio-São Paulo, os mais deslumbrantes panoramas para o filme, além de ter adotado um sem número de técnicas triviais e menos ortodoxas para mostrar os surfistas em ação – por exemplo, câmeras de 16mm posicionadas em locais improváveis, como o bico de uma prancha.

 

Fazer uma continuação do primeiro documentário era uma responsabilidade e tanto – afinal, apesar de o Brasil ser pródigo em cineastas versados neste gênero, Surf Adventures integra uma seleta casta: figura entre os cinco documentários mais vistos em toda a história do cinema nacional. Para garantir o êxito da iniciativa, o diretor Moura se cercou de talentos como os diretores de fotografia Manuel Águas e Guga Millet e os montadores Sérgio Mekler e Julio Adler. Na trilha sonora, uma coletânea de hits assinados por feras como Erasmo Carlos e Bob Marley embala as evoluções ousadas de surfistas veteranos, como Marcelo Trekinho, Phil Rajzman, Raoni Monteiro, Fábio Gouveia, Adriano Mineirinho, Kelly Slater, Andy Irons e Mick Fanning. Não há dúvida de que, para entusiastas da modalidade, Surf Adventures II é a versão fílmica do Paraíso. A produção é da Massangana Filmes e da Globo Filmes e a distribuição, da Universal Pictures.

 

DO AMAPÁ AO TAITI

O diretor explica que, além de explorar o sucesso do filme original, Surf Adventures II nasceu de uma obsessão eterna: a busca pela onda perfeita. “Há muita onda no mundo a ser descoberta e explorada”, diz. “Neste filme, tentamos aliar países mais próximos do Brasil (como México, Peru e Chile) a outros mundialmente conhecidos por suas ondas espetaculares, como o Taiti e a Austrália.” Mas a produção não deixou de dar destaque às ondas tupiniquins, que, segundo o realizador, têm um enorme potencial para o esporte. “Conseguimos imagens sensacionais quando filmamos a pororoca, no Amapá, e as ondas do Rio de Janeiro e de São Paulo”, compara.

 

Além de acompanhar a trajetória de surfistas que, desde a realização do filme original, cresceram e apareceram no esporte, como Trekinho e Rajzman, Surf Adventures II lança um olhar sobre novas promessas da modalidade, como Jadson André e Ítalo Ferreira. A equipe também obteve imagens memoráveis – algumas delas surpreendentes em um documentário sobre Surf, como as de Machu Pichu, no Peru.

 

Em um tempo no qual as produções se tornam cada vez mais “domésticas”, abusando do recurso da tela verde ao invés de deslocarem equipes inteiras para captar um belo pôr-do-sol, um filme como o de Roberto Moura é quase uma exceção: por conta de sua premissa e objetivo, foi totalmente captado em locação, com duas câmeras Bolex Super-16, uma Arriflex SR2 e alguns modelos adicionais, próprios para utilização na água. Apesar de tecnologicamente bem guarnecido, o time capitaneado pelo cineasta viveu uma aventura particular nos bastidores. Tudo isso, para garantir imagens de qualidade para o documentário.

 

As filmagens começaram em 2005, no Peru, e perfizeram um longo caminho até a captação das últimas cenas, já nas praias paulistas e fluminenses. Moura e equipe passaram pelo Amapá (onde foram registrados os takes do Surf na pororoca do Rio Araguari), México, Chile, Austrália e Taiti. Havia, ainda, a necessidade de visitar tais lugares em datas propícias ao esporte, como garantia da obtenção de imagens interessantes.

 

A narração ficou a cargo do humorista Helio de La Pena, que integra a trupe de humoristas do Casseta & Planeta – a princípio, uma escolha exótica, levando em conta as características do filme. No entanto, ao entrar em contato com o artista, o diretor teve a grata surpresa de saber que o filho de La Pena era um grande fã do primeiro Surf Adventures, o que facilitou muito o trabalho dos dois. O texto foi escrito pelo videomaker, poeta e – claro! – surfista pernambucano, Pedro Cezar.

 

Assista ao trailer:

 

 

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