DO JEITO QUE O DIABO GOSTA

Por Eduardo Torelli
Fotos Divulgação

Em um dia qualquer, o diabo vem à Terra para fundar sua própria igreja, subvertendo as noções de bem e mal e causando uma enorme confusão no planeta. Este poderia ser um enredo da série Além da Imaginação, mas a ideia foi pinçada de um texto escrito no fim do século XIX e assinado por ninguém menos que Machado de Assis. Com uma história tão boa em mãos, o cineasta Toni Venturi (autor de obras premiadas, como Cabra Cega, Latitude Zero e O Velho, A História De Luís Carlos Prestes) não hesitou em fazer sua primeira incursão em um gênero no qual nunca havia se aventurado: a comédia. Estrelado por Murilo Rosa e Monica Iozzi, A Comédia Divina é um prato cheio para os espectadores que gostam de tramas divertidas e salpicadas por comentários sociais.

Embora a produção tenha mais de 400 cenas envolvendo efeitos especiais, Toni hesita em classificá-la como “um filme fantástico”. “Prefiro chamá-la de ‘comédia fabular’, já que o filme tem uma pitada filosófica e questiona o estado das coisas na atualidade”, diz o realizador. Nesta entrevista à Zoom Magazine, o cineasta explica por que o diabo midiático e sedutor de seu filme é tão perigoso quando o “diabo tradicional” que conhecemos.

 

A COMÉDIA DIVINA USA E ABUSA DE EFEITOS ESPECIAIS E TEM UMA TRAMA QUE EXTRAPOLA A REALIDADE. ESTE É O SEU PRIMEIRO “FILME FANTÁSTICO”?

Acho que é uma comédia diferente, na linha fantástica. Mas não considero a Comédia Divina um “filme fantástico”. Acho que é mais uma fábula. O projeto começou a ser desenvolvido há cinco anos. O que me atraiu foi o argumento de José Roberto Torero (por sua vez, uma adaptação de um conto de Machado de Assis, “A Igreja do Diabo”). Fizemos uma livre adaptação de um texto escrito no final do século XIX para os dias atuais. Esta é a ideia central do filme: o diabo vem à Terra e funda uma igreja. E, para isso, inverte todas as noções de pecado e moral dos cristãos, transformando o que era defeito em virtude. O subtexto de Machado de Assis dá uma pitada filosófica e fabular à trama. No fundo, é uma história sobre o próprio ser humano.

 

NO FILME, O DIABO TAMBÉM É UM CARA MUITO SIMPÁTICO E POPULAR, INTERPRETADO POR UM GALÃ DA TV…

Sim, o nosso diabo é “realista” (risos) Ele não tem chifrinhos ou rabo. É um cara muito sedutor, que chega à Terra para inverter os dogmas que conhecemos. A adaptação é muito inteligente e isto assegura os valores de crítica social do filme, ainda que os comentários sejam feitos de forma descontraída: o diabo chega às pessoas por meio da TV, que é a força mais potente que há em termos de comunicação de massa. Hoje, tudo é tela, tudo é imagem. Vivemos em uma era de convergência tecnológica. Por isso o filme é tão divertido.

 

O ELENCO MISTURA ATORES CONSAGRADOS DA TV COM ARTISTAS QUE TÊM MAIS TARIMBA NO HUMOR. VOCÊ ACHA QUE ESSE ECLETISMO É UM DOS TRUNFOS DA PRODUÇÃO?

O humor do filme é mais dramático. Eu chamaria A Comédia Divina de uma “dramédia”. Não há pastelão, é uma comédia de situação. E isso combina melhor com o elenco. A própria Mônica Iozzi tem um humor mais crítico, mais verbal. Acredito que a comédia seja um gênero que permite vários tons, que podem ir do escatológico ao aventureiro. Particularmente, eu gosto mais das comédias dramáticas. Se Beber Não Case, por exemplo, é uma comédia dramática. As situações são realistas, mas, no contexto da trama, ocorrem as maiores maluquices.

 

Para continuar acompanhando a entrevista completa do cineasta Toni Venturi e ver o making off do filme, acesse aqui!

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