Engenheiro de Som e o Home Studio

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Engenheiro de som ensina como montar um home studio com pouco investimento
Jonathan Maia, engenheiro de som, ensina como montar um home studio com pouco investimento

Especialista conta sua trajetória profissional e ensina como montar um home studio com pouco investimento

O baixista que passou a conhecer os instrumentos musicais ainda na infância e na adolescência já produzia jingles e locuções para supermercados no modesto home studio que tinha em casa, sentiu-se atraído pela arte de gravar e mixar som ainda jovem. Aliado a isso, a vontade de conquistar mais estabilidade no mercado de trabalho fez Jonathan Maia seguir a carreira de engenheiro de som, o que, ao longo de dez anos, lhe rendeu muito trabalho na Rede Globo, prêmios e, como consequência, conhecimento e experiência, que passou a compartilhar voluntariamente em igrejas do Rio e Janeiro, por meio de consultorias e apostilas de treinamento básico de som.  

        Aos 19 anos, Jonathan integrou à equipe da Rede Globo como operador de captação. Alcançou o reconhecimento de seus colegas de trabalho e, nos últimos anos, atuou como engenheiro de gravação em programas músicas como: The Voice Brasil, The Voice Kids (indicado ao Emmy 2017), Super Star e Pop Star. Teve a oportunidade, também, de trabalhar com artistas como Lulu Santos, Ivete Sangalo, Michel Telo, Claudia Leite e Carlinhos Brown, entre outros produtores musicais e apresentadores. Aos 27 anos, recebeu o prêmio Profissão Entretenimento de melhor técnico e captação de áudio. Mas o profissional alega que, “até chegar esta conquista, houve muito suor e trabalho árduo”.

        “Os primeiros anos foram desafiantes e igualmente essenciais para a minha formação. Logo que comecei na emissora, me deparei com muito equipamento de som que nunca havia visto antes – era um parque de diversão para mim”, revela o profissional.

Engenheiro de som ensina como montar um home studio com pouco investimento
Jonathan Maia e o seu home studio

A oportunidade de trabalhar com equipamentos de primeira linha e observar a forma de trabalho dos grandes profissionais do áudio chamou sua atenção para as limitações das igrejas, onde tocava ou trabalhava como engenheiro de som.

        “Percebi que as igrejas tinham muitas deficiências. Às vezes chegava, pedia um determinado cabo para ligar um instrumento, ou outros acessórios, e percebia que a pessoa não tinha tal informação. Foi então que pensei em escrever uma apostila de áudio básico. A partir daí, comecei a aplicá-la em muitas igrejas e prestar consultoria voluntária. Neste trabalho pude compartilhar meu conhecimento com jovens adolescentes e até pessoas mais velhas. A ideia era oferecer a eles um som de qualidade, de excelência. Eu queria levar para eles a experiência profissional que adquiri ao longo da vida”, conta.

Jonathan Maia diz ser ambicioso para crescer profissionalmente. Gosta de estudar e atualizar-se. Hoje, vive com a esposa em Los Angeles (EUA), cidade escolhida para estudar, aprimorar o conhecimento e estar mais próximo da tecnologia. “Assim como tenho referências, procuro ser uma para a galera com quem trabalho”, afirma.

PASSOS DE QUEM SABE O QUE QUER

Filho, neto e sobrinho de músicos, Jonathan não poderia escolher uma carreira diferente. Aos cinco anos, já estudava bateria. No entanto, sempre quis ter uma visão geral da música e passeou um pouco por todos os instrumentos até escolher o contrabaixo, que estudou no curso da escola Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Mais tarde, profissionalizou-se e fez cursos de áudio no Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (IATEC), graduando-se, também, em produção fonográfica no curso da Estácio de Sá. 

        Em Los Angeles, o engenheiro vem aprimorando seus conhecimentos em cursos técnicos de produção de áudio. Já esteve no Capitol Studio, em Hollywwod, atendendo à Master Class com Al Schmitt, engenheiro de gravação com mais de 20 Grammys. Membro do Audio Engineer Society (AES) em Nova York, também aprimorou seus conhecimentos com os engenheiros de gravação do grupo Mix With The Masters.

ACREDITE EM VOCÊ, FAÇA SEU SOM

Jonathan Maia no seu home studio

Assim como Jonathan Maia deu início à carreira gravando e mixando sons em casa, “qualquer pessoa que tenha interesse na área de gravação e produção musical pode montar o próprio estúdio, com um capital inicial razoável”, acredita o engenheiro. Veja o que é preciso:

Computador: instrumento incrível para a gravação e processamento de áudio. Com a possibilidade de realizar múltiplas tarefas e com resultados mais que satisfatórios, o avanço na manipulação do áudio digital, aliado à continua diminuição dos custos, foram fundamentais para a popularização do uso do computador para a produção musical. Nele, você instalará sua DAW (Digital Audio Workstation), um programa contendo diversos recursos, como a possibilidade de gravação e manipulação de áudio, inserção de plugins de efeito, instrumentos virtuais e diversos outros recursos para produção musical.

Softwares: existem muitos softwares para gravação no mercado, como o Pro tools, Ableton Live, Cubase, Sonar etc. As configurações mínimas da máquina dependerão de sua utilização. Se você deseja realizar gravações com trinta ou mais faixas de áudio, precisará de uma máquina de áudio potente, possivelmente com processador Intel Core i7, 8GB ou mais de RAM e um HD com no mínimo 500gb ou mais. Mas, caso queira realizar gravações mais simples, um i5 com 4GB de RAM já devem ser mais que suficientes.

Placa de som : hoje é comum a presença de interfaces de áudio externas ou internas em estúdios caseiros, fazendo a ponte entre os instrumentos e seus softwares no computador. Elas acoplam, em um só aparelho, pré-amplificadores, que servirão para você ligar microfones ou instrumentos, e conversores analógico-digital, que irão converter o som em informações que serão lidas pelo seu computador. Além disso, muitas delas contam com processador digital de sinal (DSP), que divide as tarefas de processamento com a CPU do computador. Se você deseja realizar gravações de vocais, guitarras, baixos e baterias, é essencial ter uma dessas por perto. Marcas com modelos de baixo custo e boa qualidade são a MAudioFastTrack, Focusrite e PreSonus. Marcas como UAD, Apogee e MOTU custam mais e oferecem qualidade superior, tanto nos pré-amplificadores como nos conversores de sinal.

Microfones: para gravar vozes, bateria, amplificadores de guitarras e outros sons, um bom microfone é essencial. Em geral, na produção de música, eles se dividem em duas esferas: os dinâmicos e os condensadores. Os microfones dinâmicos captam de maneira mais direta uma fonte, são menos sensíveis e mais “duros”. São utilizados para captar amplificadores de guitarra, instrumentos de percussão, partes da bateria, instrumentos de sopro e outras coisas, sendo os mais famosos o Shure SM57, SM58 e Sennheiser MD421. Já os microfones condensadores são mais sensíveis e captam mais dinâmica e ambiência, sendo utilizados para voz, violão, para a bateria como um todo, captando o efeito da propagação de seu som no ambiente. Um bom exemplo e com baixo custo para os condensadores é o AKG 414, muito versátil. Apesar das utilizações citadas acima, não há garantia de um bom resultado. Aqui fica a ideia de experimentar os diversos microfones e suas possibilidades de posicionamento em relação à fonte sonora.

Monitoração de Áudio: é importante ter um bom par de caixas de som para a monitoração de áudio, ouvindo o que você gravou para ter uma ideia do resultado e eventuais mixagens. Algumas dessas caixas podem ser ligadas diretamente à interface/placa de áudio, sendo desnecessária a presença de um amplificador ou receiver. Apesar do que muitos dizem, é possível monitorar com um bom par de fones de ouvido, buscando sempre a maior fidelidade de reprodução de áudio. O problema de possuir um fone de ouvido não muito fiel é que você não estará ouvindo o que realmente gravou e, na hora de mixar, cortará ou amplificará frequências que, ao serem reproduzidas em outros aparelhos com configurações diferentes, apresentarão resultados diferentes.

DICAS

Muitos usuários utilizam controladores MIDI para obter um maior domínio sobre seus programas de áudio. Com eles, você consegue tocar instrumentos virtuais, além de alterar parâmetros como volume, panorâmica e configurações dos VST’s. Apesar de não ser estritamente essencial, ajuda e muito no processo de criação e mixagem.

Conhecimentos de captação de áudio e mixagem serão importantes caso você queira produzir suas faixas em casa, sem depender de terceiros. São as principais etapas para a criação de faixas eletroacústicas, sendo ambas determinantes para o resultado final. Uma boa captação irá lhe garantir maior sossego durante a mixagem e masterização da faixa, sendo muitas vezes difícil resolver problemas da mesma durante a etapa mixagem.

Em minha opinião, onde não se deve economizar nos cabos. Procure sempre os melhores, com boas soldas e bom conectores.

*Confira esta e outras reportagens especiais na edição 216 da Zoom Magazine