A IMPORTÂCIA DA GRUA NA PRODUÇÃO

Com diferentes características, gruas contribuem decisivamente para o resultado estético de uma produção

 

Por Ricardo Bruini

 

 

Utilizando regras da física muito simples (e eficientes), a grua é um dos equipamentos mais versáteis quando o assunto é movimentação de câmera. Com ela é possível efetuar praticamente qualquer movimento de câmera.

Concebida a partir do conceito físico de contrapeso, a grua funciona da mesma forma que uma gangorra. A diferença é que o centro de fixação é deslocado para um lado, no qual são fixados contrapesos. Do outro lado, uma câmera pode ser acoplada. Com isso, basta a aplicação de uma pequena força para que até câmeras bastante pesadas sejam facilmente deslocadas ao limite de alcance do braço do equipamento. Estes podem ter de 2 a 17 metros, sendo que alguns, especiais, possuem braço (lança) com 30 metros de comprimento.

Para falar a respeito desse equipamento, fundamental em um set de filmagem, conversamos com Sandro Galvão, Diretor Técnico e Sócio da Disk Films, empresa que, entre outras coisas, atua na área de locação de equipamentos para movimentação de câmeras de vídeo e de cinema.

 

ESTRUTURA SIMPLES

A grua é constituída de uma base – que pode possuir rodas ou não, ou ser montada sobre trilhos – e de uma lança (que é o braço do equipamento), na ponta da qual é fixada a câmera, afirma Galvão.

Segundo nosso entrevistado, há basicamente três tipos de gruas: gruas para produto, para operador e para cabeça eletrônica.

As de produto, normalmente, são pequenas (menos de 2,5m). Nelas, a câmera é fixada, juntamente com a cabeça de movimento, na ponta da lança. São de fácil operação.

As gruas para operador são projetadas para suportar o peso de uma ou duas pessoas (além do peso da câmera), dependendo da altura solicitada para o trabalho. Como precisam sustentar grandes cargas, são equipamentos robustos, pesados e de montagem trabalhosa.

Já as gruas para cabeça eletrônica são projetadas exclusivamente para a operação da câmera através de controle-remoto. Uma cabeça eletrônica é um dispositivo que possui motores elétricos e comandos remotos eletrônicos, que permitem à câmera fazer os movimentos de pan e tilt (em alguns modelos, de roll, também). A base e a lança desse tipo de grua são confeccionadas com alumínio ou fibra de carbono, o que as torna mais leves e fáceis de montar. Neste grupo também existem as gruas com braço retrátil, que permitem a variação do tamanho da lança através de um sistema peliscópico.

 

SEGURANÇA: UM FATOR IMPORTANTE

É comum vermos os diferentes modelos de gruas serem tratados pelo nome de determinados fabricantes, o que às vezes é feito de modo equivocado. Segundo Galvão, isto se deve à associação feita com as primeiras marcas que foram utilizadas no Brasil.

Sandro Galvão alerta que, antes de se alugar uma grua pelo nome do fabricante, deve-se avaliar qual será a utilidade e a necessidade dentro do trabalho proposto, bem como a confiabilidade do equipamento. Sempre que se trabalha com gruas, a segurança é um fator importante, tanto na operação quanto na montagem. Acidentes graves podem ocorrer por falha do equipamento, negligência, uso inadequado ou problemas de montagem. Logo, é essencial que esse tipo de estrutura seja montada e operada por um técnico qualificado – que pode ser um operador/montador ou um maquinista. Dependendo do modelo, é necessário mais de um técnico para montar e operar o equipamento.

Sejam pequenas ou grandes, de alta tecnologia ou de construção simples, as gruas sempre conferem ao material captado uma enorme liberdade de movimentação. Mãos à câmera!

 

COLABORARAM NESTA MATÉRIA:

 

Ricardo Coutinho

Sandro Galvão

Disk Films (www.diskfilms.com.br)