ROTEIRISTAS EM FORMAÇÃO: EXERCÍCIOS PRÁTICOS – PARTE 2!

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Muito ainda pode ser feito para auxiliar no processo criativo e no desenvolvimento do roteiro. Continue praticando

Texto: Tristan Aronovich
Imagens: Divulgação

Continuamos com nossa série de atividades para aprimorar a prática dos roteiristas. Os exercícios anteriores podem ser encontrados aqui.

EXERCÍCIO 4:

Convenções de gênero

É momento de conhecer os “gêneros”, de maneira específica. Procure assistir a diversos filmes consagrados (ou os seus favoritos) de cada gênero principal: Ação, Aventura, Romance, Drama, Comédia, Horror etc. Cada um possui vocabulário próprio no que tange as convenções, ou seja: recursos narrativos que funcionam bem para cada tipo de história. Com base nos exercícios anteriores, analise as particularidades estruturais de cada gênero em termos de porcentagens e proporções (número de protagonistas, natureza e quantidade de conflitos e obstáculos, proporção entre os atos etc.). Além disso, familiarize-se com recursos específicos, como a voice over (a voz de um personagem narrando algo durante as cenas); flashbacks (cenas cronologicamente deslocadas; por exemplo, as lembranças de uma personagem); POV ou Ponto de Vista (quando a ação é vista através dos olhos de uma personagem em particular); inserts (inserção de um detalhe visual importante para o desenvolvimento da história); e montagens (sequências que resumem a passagem do tempo; por exemplo: nos filmes da série Rocky, montagens são utilizadas para sintetizar os vários dias em que o boxeador se submete aos treinos, antes de uma luta importante). Atente aos padrões com que estes macetes são empregados em cada gênero, bem como sua frequência em cada um.

EXERCÍCIO 5:

Níveis de conflito

Chegamos a um exercício sofisticado, no qual a proposta é perceber os diferentes tipos (ou níveis) de conflitos que se apresentam em uma história. Vamos abordar os níveis mais comuns de conflito: o primeiro deles é de natureza “pessoal”, ou seja, quando a vontade de uma personagem confronta a de outra (em Romances, por exemplo, geralmente alguém quer “conquistar” o amor e o afeto de outra pessoa, que, em contraposição, não o ama). Já no segundo nível de conflito, a vontade de uma personagem confronta a “vontade” de uma força maior. Por exemplo, a sociedade (pense em filmes épicos, nos quais um homem tenta libertar um povo ou país). No terceiro nível de conflito, a vontade de uma personagem confronta algo ainda maior, como nas tragédias gregas, nas quais os protagonistas entravam em combate com os deuses. Procure analisar, em seus filmes prediletos, quais são as naturezas mais comuns de conflitos e perceba, como escritor, que tipos de conflito mais o agradam no desenvolvimento de uma história.

EXERCÍCIO 6:

Dualidade nas personagens

Este exercício é tão sofisticado quanto o anterior: é chegado o momento de perceber a “dualidade” das personagens. O russo Konstantin Stanislavsky dizia que toda personagem possui um lado bom e um lado ruim (e ele batizava esta dualidade característica como “Tensão Heróica”). Logo, todo “mocinho” pode ter um lado ruim e todo “vilão” pode ter um lado bom, o que geralmente torna as personagens mais ricas e complexas. Pense, por exemplo, em Hamlet, a personagem mais estudada e dissecada da literatura ocidental. Hamlet é o “mocinho” da história e embarca em uma jornada para vingar o assassinato de seu pai. Porém, embora seja o mocinho, muitas de suas atitudes são questionáveis e podem até levar a audiência a odiá-lo. Certamente, este é um dos elementos que fazem de Hamlet uma das personagens mais ricas da história dramática. Mas não é preciso ir tão longe. Mesmo em seriados modernos norte-americanos, os roteiristas adoram explorar essas dualidades: bons exemplos são o agente secreto Jack Bauer, do seriado 24 Horas, ou o Doutor House, do seriado homônimo. Ambos podem ser facilmente amados e odiados e possuem características maravilhosas e outras, bem repugnantes. Agora, pense em seus filmes favoritos e tente perceber tais dualidades nas personagens. Caso esses elementos não estejam claros em seus filmes favoritos, recomendo que o leitor assista a Cidadão Kane, de Orson Welles, Magnólia, de Paul Thomas Anderson, e até os seriados já mencionados. Verifique se essas dualidades o agradam, como roteirista, e avalie o impacto que geram na história e na audiência.

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