VOCÊ SABE COMO ESCOLHER A CÂMERA?

A escolha da câmera certa para cada produção depende de vários critérios e da opinião de muitos profissionais

Texto: Ricardo Bruini
Imagens: Divulgação

Que figurino escolher? Qual o melhor refletor para iluminar a cena? Qual a potência de luz necessária? Que lente utilizar? Que filtro oferece o melhor resultado? Qual o melhor cenário para a cena? Que escala cromática adotar? Maquiagem mais “pesada” ou mais “natural”?

Estas são perguntas que só poderão ser respondidas se fizermos dois testes fundamentais: o de câmera e o de latitude de exposição da câmera escolhida.

Escolha essencial

Deixando-se de lado todo o “calvário” para a captação de recursos e patrocínios e focando apenas os quesitos artísticos/técnicos, entre a concepção de um roteiro e a captação de imagens para um projeto, é necessário tomar decisões fundamentais. É preciso, por exemplo, escolher a câmera que melhor se adapta ao estilo visual e ao orçamento da produção – e, depois, esta deve ser submetida a alguns testes, para que os demais setores e profissionais envolvidos tenham parâmetros para balizarem seus futuros trabalhos naquela obra audiovisual.

Importante salientar que, uma vez escolhida a câmera, é aconselhável que todo o projeto seja efetuado com o mesmo equipamento, para evitar descontinuidade no estilo visual. Evidentemente, dependendo da concepção visual de cada projeto, pode ser que variações visuais sejam propositais. Nestes casos, mais de um modelo de câmera poderá ser utilizado. Em outros momentos, algumas características técnicas podem “forçar” a utilização de mais de um modelo.

Uni, duni, tê?

No teste de câmera, o primeiro passo é escolher qual modelo se aproxima mais do estilo visual, dos recursos técnicos à disposição e do orçamento reservado para esta etapa. Não adianta escolher uma câmera “top” se o aluguel do equipamento estourar o orçamento (ou se a equipe técnica não estiver familiarizada com a tecnologia e os procedimentos de operação). Por outro lado, também não seria bom escolher uma câmera inferior, que não ofereça o resultado pretendido pelo idealizador e pelo diretor de fotografia. É um “jogo” de escolhas que demanda muito cuidado e critério.

Depois de escolhidos dois ou mais modelos, criam-se algumas cenas típicas do audiovisual a ser captado, nas quais situações técnicas críticas possam ser observadas. A partir destas cenas “piloto”, o diretor de fotografia poderá afirmar qual das “câmeras-candidatas” oferece o desempenho mais adequado.

Literalmente, as câmeras são colocadas lado a lado, com um mesmo enquadramento e objetivas e ajustes similares. Eventuais movimentos de câmera e dos atores também auxiliam no processo. Captadas as imagens, o material gerado por cada uma das câmeras deverá ser minuciosamente analisado pelo diretor de fotografia e pelo diretor do audiovisual, para que sejam elencados os pontos positivos e negativos de cada uma dentro das utilizações pretendidas. A câmera que se sobressair e apresentar menos problemas técnicos/estéticos será a escolhida para captar as imagens, do início ao fim.

Normalmente, é muito difícil uma determinada câmera ser 100% adequada, pois sempre há algum empecilho técnico ou perda. Por isso, o diretor de fotografia deve ser um profissional acostumado a fazer concessões e a abrir mão de alguns aspectos para ganhar em outros.

Consenso

Ainda assim, antes de “bater o martelo”, é fundamental enviar o material captado pelas “câmeras-candidatas” ao editor e, posteriormente, ao finalizador. O trabalho desses profissionais dependerá da qualidade e das características técnicas do material captado pela câmera. Logo, é de suma importância que eles apontem eventuais problemas no workflow do material. Por exemplo: às vezes, a compressão de determinado Codec inviabiliza a obtenção de alguns efeitos de pós-produção. Ou, ainda, um material sem compressão pode não ser compatível com a ilha de edição disponível para o projeto. São muitos os obstáculos na edição, pós-produção e finalização que podem “barrar” um determinado modelo de câmera.

Apenas quando o diretor, o diretor de fotografia, o editor e o finalizador entrarem em consenso, teremos uma câmera “vencedora”.

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